quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Bíblia e superstição embalam baiano em busca por medalha na Rio-2016

O pugilista Robson Conceição segue ritual minucioso antes de subir ao ringue.
Após se aquecer para o combate, o boxeador Robson Conceição, 27, coloca a mão dentro de sua bolsa, e de lá retira uma bíblia. Abre o livro sagrado em uma página aleatória e lê o primeiro versículo a chamar a atenção de seus olhos. Suspira, e fecha a bíblia. Ainda no vestiário, na hora de colocar as luvas no atleta, o treinador já sabe. Luva direita primeiro, depois a esquerda. Ao calçar as sapatilhas, o boxeador já havia seguido o mesmo ritual, sapatilha direita primeiro, depois a esquerda.

“Abri a bíblia em uma página qualquer e li o que caiu na ‘sorte do dia’. Li o salmo, coloquei a sapatilha e a luva direita antes [em sua esteia na Rio-2016], e me benzi”, confirmou, com sorriso no rosto, o baiano.

Ele retorna ao ringue no Pavilhão 6 no Riocentro nesta sexta-feira (12), às 12h45, contra o uzbeque Hurshid Tojibaev, pelas quartas-de-final do torneio de boxe da Rio-2016. Se passar às semis, o baiano já tem garantida, no mínimo, a medalha de bronze.O boxeador, quinto no ranking da Aiba (Associação Internacional de Boxe), leva a sério suas superstições.

“Na primeira vez que dei um treino para o Robson, fui por a luva direita nele, e ele tirou a mão repentinamente. Até me assustei, pensei que tinha acontecido algo com a mão dele”, lembra Mateus Alves, um dos técnicos da seleção nacional. 

Além da bíblia e da superstição na hora de se preparar para luta, o pugilista adotou uma tática após ser eliminado na luta de estreia em Londres-2012: Conceição não treina mais com estrangeiros de sua categoria de peso.

Em 2012, em Sheffield, dias antes de sua estreia na Olimpíada, durante uma sessão de sparring (treino com luvas), Conceição "brincou" com o britânico Josh Taylor, dominando totalmente o boxeador, chegando inclusive a derrubar o adversário durante uma sessão de sparring. Taylor pediu para o treino ser encerrado, sob protesto de Conceição. No dia da luta "para valer", pela sua estreia em Londres-2012 na Excel Arena, Conceição dançava no caminho até o ringue antes de encarar o inglês novamente. Mas o brasileiro acabou perdendo por pontos.

“Os treinadores (britânicos) estudaram meu estilo em Sheffield, e o Taylor descobriu tudo sobre como eu lutava. Desde então, sparring só com estrangeiros do peso de cima ou de baixo".

Esta manhã estreia também a peso-leve brasileira Adriana Araújo, bronze em Londres-2012. Se vencer sua luta, às 11h30, contra a finlandesa Mira Potkonen, pega na luta seguinte a irlandesa Katie Taylor, pentacampeã mundial, ouro em Londres-2012, e a “cara do boxe feminino”.

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