quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Artigo: Irmão vota em irmão?

Carlos César Januário é pastor da Primeira Igreja Batista de Rio Novo, em Ipiaú.
Estamos em mais uma campanha eleitoral municipal. Elegeremos nossos representantes no executivo (prefeito) e no legislativo (vereadores). Como cristãos devemos interceder por aqueles que estão em exercício da autoridade, bem como por aqueles que serão eleitos. 

Tem-se divulgado que "irmão vota em irmão", no sentido de que devemos eleger quem nos represente nas esferas do poder. Vejo nesta noção grandes equívocos. Primeiro que não elegemos um irmão para representar os evangélicos, posto que nenhuma igreja ou denominação deu ou dará poder representativo para qualquer postulante cristão a um cargo político. Segundo, ainda que alguma igreja ou denominação o faça, estará contrariando os princípios cristãos de separação entre Igreja e Estado e da ética cristã. Terceiro, porque no Estado político se defende o bem coletivo e não corporativo. Muito embora a educação política brasileira contrarie esta verdade. Não se faz política de verdade, mas a da conveniência e dos interesses grupais. O que é uma pena, pois os prejuízos pulverizados na sociedades são os mais funestos e débeis. 

A verdadeira política local é uma bênção quando não visa uma bandeira particular, mas a bandeira municipal. Quando, mais que um programa de governo, se contempla a necessidade coletiva. Aproveitando inclusive as boas propostas de outros partidos ou candidatos. Sob este aspecto, não precisamos necessariamente votar em irmão, só por ser irmão, mas em quem tem perfil, requisitos, capacidade de articulação intelectual para efetivação do bem comum. Claro, que se um irmão atende estes requisitos, e tem comprovada honradez e integridade moral, deve merecer nosso voto preferencialmente. Mas, se não, devemos escolher outro que atenda. Nem mesmo na vida política partidária, conseguiremos uma holística representação. Aliás, a política partidária, não se basta a si mesma, ela necessita de toda a sociedade para cooperar com o bem comum e com unidade de propósitos vencer os desafios da vida em sociedade.

Carlos César Januário é pastor 
da Primeira Igreja Batista de Rio Novo, em Ipiaú. 

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