domingo, 16 de julho de 2017

Dário Meira festeja o centenário de seu Antônio Monteiro

Seu Antônio Monteiro comemora 100 anos de idade nessa segunda-feira, 17 de julho.
*Por José Américo Castro
A cidade de Dário Meira está em festa pelo centenário de existência de um dos seus mais queridos moradores. Celebrar a vida de seu Antônio Manoel Monteiro é um motivo de júbilo na comunidade local que adotou este ilustre cidadão como um grande patriarca. Todos lhe veneram, buscam seus conselhos, lhe pedem a “bença”. Viver um século sem nunca ter tido inimigos, sem nunca ter ofendido, com uma família unida, simplesmente em paz, é mesmo um nobre motivo de comemoração. Neste domingo (16), seu Antônio Monteiro, montado em “Brinco”, o mangalarga marchador da sua estimação, puxou uma cavalgada com centenas de cavaleiros até a Fazenda Lua Nova, onde recebeu mais novas homenagens. As felicitações multiplicam-se nesta segunda-feira, 17 de julho, data em que ele nasceu. 
O idoso tem 11 filhos, 52 netos, 123 bisnetos, 50 tataranetos e um pentaneto. 
Foi no ano da graça de 1917, na região da Jibóia (atual Boaçu) na caatinga de Jequié, que seu Monteiro veio ao mundo. Seus pais se chamavam Fausto Manoel Monteiro e Carlota Maria de Jesus, tiveram nove filhos e muito labutaram para criá-los. Aos sete anos de idade, o garoto Antônio já auxiliava seu Fausto na armazenagem do fumo colhido na Fazenda Morro Redondo, de Jaime Barra, e na fabricação de adobe que acontecia ali mesmo, junto a um barreiro temporário. Com a idade de nove anos ajudava seu irmão Lídio a cuidar do gado, tirar o leite e outros afazeres. Tornou-se vaqueiro. Conduzia boiadas em longas distancias, andava descalço e só veio conhecer calçados (um par de sandálias) aos 21 anos de idade, quando casou com dona Lindalva Magalhães. O casal gerou 11 filhos e a descendência prolongou-se em 52 netos, 123 bisnetos, 50 tataranetos e um pentaneto. Outros dois descendentes estão em gestação e nasceram ainda neste ano de 2017.
Na véspera de completar 100 anos, seu Antônio participou de uma Cavalgada em Dário Meira.
Na família tem Na família tem advogados, psicólogos, pedagogos ,administradores e nutricionistas, além de agricultores, comerciantes, policiais... Todos honrando o patriarca. Em sua juventude seu Antônio percorria as ruas de Jequié vendendo leite armazenado em um grande balde que ele carregava na cabeça e trazia de algumas léguas distante. Também foi amansador de burro brabo e gaba-se de nunca ter caído. Às vezes era o animal que ia ao chão, mas o peão estava sempre aprumado na sela sobre o lombo do bicho. Fazendeiros de Santo Antônio de Jesus e Nazaré das Farinhas requisitavam seus serviços nessa arte, onde um dos seus companheiros foi seu Nicinho, pai de Julio da Fiat. Por duas décadas seguidas, Antônio Monteiro trabalhou com o fazendeiro Jaime Barra que se não lhe pagou indenização o recomendava como pessoa de caráter ilibado.
Ao lado de amigos e familiares.
No ano de 1946 chegou em Cajazeira (atual município de Dário Meira), com a missão de gerenciar a Fazenda Ipiranga, propriedade de Bolivar Barreto, genro de Jaime Barra. Ali permaneceu por 21 anos consecutivos. Depois foi empreiteiro na Fazenda Lua Nova, de Salomão Amaral, ex-prefeito do município. Na primeira metade da década de 1950, após acumular algum dinheiro, Monteiro comprou a Fazenda Caixa de Areia, no município de Ibicui. Nesta propriedade de 63 hectares, criou gado, plantou cacau e outras culturas agrícolas. Outra atividade exercida por Antônio Monteiro foi a de açougueiro, em Dário Meira. 

Católico praticante, daqueles que reza o terço três vezes por dia, participa das missas e é devoto de todos os santos, Antônio Monteiro já realizou algumas romarias ao santuário de Bom Jesus da Lapa, sendo que em três delas o percurso foi feito a pé. A caminhada se prolongava por quase 40 dias, de ida e volta. No caminho muitas surpresas, até uma onça pintada com seus filhotes. Nessas viagens à Lapa, ele estava sempre acompanhado de sua mulher e do menino Zé Grilo que até hoje está em sua companhia e gerencia a Fazenda Caixa de Areia. Monteiro não tinha nenhuma promessa a cumprir, apenas a vontade de ver a imagem do Bom Jesus. Gozando de boa saúde e com excelente memória, Antônio Monteiro dorme cedo, às 19 horas e acorda de madrugada. Levanta da cama e faz uma caminhada pelo centro da cidade, se inteira das novidades e volta para sua casa onde assiste a missa transmitida pela TV Aparecida. 

Mantém a mesma dieta dos tempos da juventude, aprecia um mocotó e abomina bebidas alcoólicas. Sua residência na Travessa Francisco Aleixo é cotidianamente visitada por muita gente. Todos querem a sua benção, um “dedo de prosa”, um instante em sua companhia. Antônio Monteiro já foi tema de um folheto de cordel, escrito pelo estudante Hugo Engeli Nolácio Lima, e recebeu o título de “Cidadão Dariomeirense” concedido pela Câmara Municipal, através de um projeto do vereador Zezito Evangelista. Antônio Manoel Monteiro já viveu 100 anos e se for da vontade de Deus viverá ainda mais. Em sua saudável velhice ele nunca se esquece da saudosa companheira Lindalva, falecida há mais de 30 anos, e agradece pelos filhos: Eurides, Ismael, Maria, Dalva, Dinalva, Antônio, Gloria, Israel, Rita e Eugenia que tanto carinho lhes dão. No papo com os velhos amigos (Pascoal, Amado e Ezequiel Marinho) o assunto é a Igreja Católica, o Apostolado da Oração. Para ele Dário Meira é um grande lugar. ”Pode ter cidade igual, mas melhor não tem”.

Da sua longa vida, o velho Monteiro diz ter sido um presente de Deus e explica: ”Nunca passei fome ou desfeita, nunca agredir, nunca apanhei, sempre vivi em paz, com as graças do nosso pai eterno. Ando contente em riba desse mundo”.  *Por José Américo Castro

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