sábado, 19 de agosto de 2017

Dicas de Redação para o Enem: O uso da Linguagem no texto dissertativo-argumentativo

Samy Santos é Professor de Redação do Colégio Santo Agostinho.
O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) se aproxima e com ele a necessidade de discutir e esclarecer algumas questões referentes à Redação, mais especificamente acerca do texto dissertativo-argumentativo. Neste artigo, discutiremos um dos aspectos mais caros à produção textual, que é a Linguagem. Afinal, escrever um texto com linguagem rebuscada/erudita é mesmo um diferencial?

Inicialmente, é preciso lembrar que – em tese – os textos de redação do ENEM são elaborados para alunos do Ensino Médio. Isso significa dizer, dentre outras coisas, que a banca de corretores já aguarda que as produções textuais tenham bom nível de linguagem, mas sem exageros, afinal, foram escritos, a priori, por alunos que ainda estão em processo de formação/evolução no que se refere ao vocabulário.

Ademais, vale lembrar que utilizar uma linguagem rebuscada pode comprometer a redação. Uma linguagem demasiadamente erudita pode, inclusive, causar o efeito inverso, um fenômeno conhecido como ‘obscurantismo’, que torna o texto incompreensível, hermético. E tal problema pode tirar pontos preciosos do candidato.
Então, qual é o caminho? Sem dúvida, é importante neste momento que o candidato tenha um vasto repertório vocabular, no entanto é preciso ter equilíbrio no uso da linguagem. O candidato deve se afastar do texto com linguagem erudita como também deve se afastar do texto com linguagem simplória, que é o simples em demasia.  O indicado é utilizar uma linguagem simples, jornalística, clara, didática, informativa, que priorize a informação.

É bom lembrar, também, que a linguagem é um elemento importante do texto, mas não deve rivalizar e tampouco se sobrepor em importância ao conteúdo, que deve ser, de fato, o verdadeiro protagonista da Redação. Assim, não é recomendável decorar e tampouco fazer uso de meia ou uma dúzia de ‘palavras bonitas’ com o objetivo de “enfeitar’ o texto e impressionar a banca. Certamente, essa estratégia não vai funcionar. Afinal, o uso da linguagem deve ocorrer de forma dinâmica, natural e o repertório/vocabulário decorre de muitas leituras.

Para ilustrar/finalizar este artigo, trazemos um texto conhecido como “Os patos de Rui Barbosa”.

“Diz a lenda que Rui Barbosa, ao chegar em casa, ouviu um barulho estranho vindo do seu quintal. Chegando lá, constatou haver um ladrão tentando levar seus patos de criação. Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com seus amados patos, disse-lhe:

- Oh, bucéfalo anácrono! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha elevada prosopopeia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima potência que o vulgo denomina nada.

E o ladrão, confuso, diz:
- Dotô, eu levo ou deixo os pato?”

Até o próximo Artigo!

0 comentários:

Postar um comentário