terça-feira, 12 de setembro de 2017

Após 2 anos, ainda não se sabe por que epidemia de microcefalia predominou no Nordeste

Raquel de Araujo, 28, e as filhas gêmeas Heloá e Heloísa, ambas com microcefalia, na Paraíba.
Dois anos após o início do nascimento dos bebês com microcefalia no Brasil, o mistério continua: por que a alta concentração dos casos ocorreu apenas no Nordeste brasileiro? A proporção de danos causados pela agora chamada síndrome congênita de zika não se replicou em outras regiões do Brasil tampouco em outros países que enfrentaram posteriormente epidemias do vírus, como Colômbia, Porto Rico, regiões dos EUA e do sudeste asiático. Nesses locais, em média 7% das mulheres que contraíram zika tiveram seus bebês afetados. Em 2015, no Nordeste brasileiro, as taxas de defeitos congênitos parecem ter sido muito maiores e mais graves. Naquele ano, nasceram na região 1.373 bebês com a síndrome de zika.

Não se sabe, no entanto, qual o percentual de bebês afetados porque ninguém faz ideia de quantas mulheres foram infectadas pelo vírus da zika. Naquele período, a doença ainda não era de notificação compulsória e não existiam testes diagnósticos. Pelo alto número de bebês com a síndrome, é possível imaginar que a quantidade de mulheres infectadas também tenha sido muito alta, muito mais do que em qualquer outro lugar. Mas por quê? Há vários estudos em curso tentando desvendar esse mistério. No entanto, os pesquisadores enfrentam imensos obstáculos na tentativa de provar uma teoria ou outra. Um trabalho retrospectivo que está em andamento tenta calcular exatamente quantas grávidas foram infectadas em 2015. Mulheres do Nordeste que estavam gestantes durante o primeiro surto estão sendo testadas. Mas é um trabalho lento e difícil. Leia mais na FOLHA

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