quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Ipiaú: Praça Emídio Barreto e a sua história

Praça era chamada de Quadalajara, cidade mexicana (Foto: José Américo Castro)
Série Praças de Ipiaú - Localizada no inicio da lendária Rua do Sapo, convergência das ruas José Muniz Ferreira, Jaldo Reis, Itapagipe, Alto da Bela Vista e Avenida Getúlio Vargas, próxima à via de acesso ao Centro de Abastecimento, a Praça Emidio Souza Barreto cumpre a sua função social no cotidiano de Ipiaú. Antes de ter esta denominação ela era chamada de Praça Quadalajara, em homenagem à cidade que tão bem recepcionou a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1970, no México.
 
O terreno foi doado ao município pela cacauicultor Antonio Calumby. Em 1988, primeiro ano da gestão do prefeito Miguel Coutinho foi urbanizada e oficialmente inaugurada, ganhando, por indicação do então vereador Plínio Nery, Lemos o nome de Emidio Barreto. Sombreada por quatro árvores, esta praça tem um traçado simples e atende a população residente, ou frequentadora, de uma das mais movimentadas áreas da cidade. Vendedoras de acarajé e outras iguarias, camelôs, propagandistas, costumam armar barraca por ali. No finalzinho da tarde é hora do encontro de amigos, uma partidinha de dominó, aquele papo legal...

Emídio Souza Barreto foi um dos mais abnegados moradores da área. Figura simples e criativa, cidadão honesto, muito trabalhador, ele prestou relevantes serviços à comunidade e por tantas vezes se colocou à frente de movimentos, promoveu eventos, militou na política local pelo antigo MDB, revelou-se um grande orador. Foi um ato de justiça lhe prestar a homenagem póstuma com o nome da praça. Ninguém melhor do que ele para simbolizar a garra e a história da gente que ali permanece.

Pioneiro do processo de industrialização dos subprodutos do cacau na região, Emídio Barreto deu preciosas lições aos monocultores do cobiçado fruto.Mostrou que um “toque de Midas” poderia ser dado no que antes eles desprezavam.Transformou os subprodutos em bebidas, licores, doces, geléias, vinagre, enfim deu valor a tudo que antes iria para o lixo.

“Aproveitou o imprestável, criando empregos, gerando riqueza e bem-estar”, destacou Euclides Neto, escritor, advogado e ex prefeito deste município, em um artigo publicado no jornal Folha do Cacau, em 18 de julho de 1986. Num rudimentar laboratório instalado na antiga Rua do Cacau (hoje chamada de José Muniz Ferreira) ao lado da sua residência, seu Emidio começou a realizar testes até descobrir a geleia produzida através do mel do cacau. A descoberta lhe estimulou a prosseguir nas experiências e assim foi obtendo outros bons resultados.

Da pivide fabricou um doce muito saboroso; misturando a banana com a entrecasca do cacau criou o “Negobom”, iguaria que até hoje é comercializado em todo o Brasil. Depois vieram a batida, o licor, o vinho quinado, o vermuth, o vinagre, o aguardente, o doce da polpa, o caramelo e os tabletes. Tudo de cacau. A matéria prima da manufatura era proveniente da Fazenda Boa Vista ( 64 hectares) na região de Córrego de Pedras onde ele chegou a produzir 100 arrobas de cacau.

Natural do município de Jaquaquara, Emidio Barreto, irmão do comerciante e fazendeiro Cesário Barreto, chegou em Ipiaú no ano de 1948. Ele era casado com dona Almerinda Cardin Barreto e ao morrer, com a idade de 66 anos, deixou uma descendência de 8 filhos, 13 netos e 6 bisnetos. Um busto ou uma estátua de Emidio Barreto, com uma placa contendo o resumo dos seus feitos, bem cabe na praça que tem o seu nome. (José Américo Castro/GIRO)

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