terça-feira, 21 de novembro de 2017

Cientistas brasileiros testam ‘vacina’ contra cocaína

Testes são realizados por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Cientistas brasileiros testam uma espécie de vacina que pode ajudar no auxílio a dependentes químicos. Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desenvolveram uma molécula que se liga à droga, criando anticorpos que bloqueiam seus efeitos. “Na verdade, a cocaína não é identificada pelo nosso sistema imune porque ela é uma molécula muito pequena. Então, a gente precisa ligar moléculas grandes para o sistema imune 'olhar' para a cocaína e 'falar' assim: ‘você não é bem-vinda aqui’. O que esta molécula faz é tornar a cocaína uma molécula pouco bem-vinda no organismo”, explicou o pesquisador Frederico Garcia, coordenador do Centro de Referência em Drogas da UFMG, em entrevista ao G1. “E aí, nossos glóbulos brancos passam a produzir anticorpos contra a cocaína. Então, toda vez que a cocaína entra na corrente sanguínea, estes anticorpos se ligam à cocaína e não se desligam. E, aí, impedem que ela entre numa barreira protetora do cérebro”, completou. Os pesquisadores registraram a patente e já testaram a substância em roedores, podendo aplicá-la em macacos. Só depois, caso obtenha os resultados necessários, poderá passar para a pesquisa em humanos. “A gente acredita que até junho do ano que vem já consiga começar a pesquisa em seres humanos. Isso levaria dois a três anos até a comercialização”, prevê Garcia.

Participam do estudo cerca de 20 pessoas, entre professores, estudantes de medicina, mestrandos e doutorandos. Para Frederico, a vacina pode se tornar uma importante aliada no tratamento de dependentes químicos. "No usuário, o que a gente espera é aumentar a taxa de abstinência para que as pessoas consigam retomar a vida com autonomia e independência, como elas merecem. O que a gente acha é que a vacina associada a outros tratamentos vai aumentar as chances de sucesso destes tratamentos”, afirmou.*Bahia Notícias

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