sábado, 12 de maio de 2018

Músicos da região: Cesinha na vital arte da percussão

Foi assistindo aos cortejos do cordão Filhos de Tupinambá, onde o sincretismo afro-indígena brasileiro se manifestava ao som dos atabaques, chocalhos e agogôs, que os ouvidos do menino Cesinha aguçaram para os ritmos percussivos. A magia dos batuques lhe envolveu de tal maneira que não tardou a ensaiar os primeiros toques nas latas e tampas de panelas da casa dos seus pais. Nas correrias com outros garotos da Travessa Vicente Júlio Aragão ele entendeu que a vida depende das batidas incessantes do coração. Tornou-se ritmista e no inicio da adolescência já participava de charangas e sambões da área popularmente conhecida como “Baixada”.
Em uma das micaretas de Ipiaú aderiu ao bloco Afro Zumbi, onde se aproximou do percursionista Duré que lhe apresentou a “Quebrada do Índio”, vanguarda da luta contra a segregação racial formada por jovens do Bairro Novo e adjacências. Aflorou-lhe a consciência negra. Duré então percussionista da banda Joedson e posteriormente da Patchanka foi o primeiro a perceber o talento de Cesinha na arte dos tambores e acreditar na sua capacidade. Passou valiosas lições ao pupilo que aos 14 anos de idade já dava “canjas” na banda Joedson, inclusive tocando nas badaladas micaretas de Jequié e Santa Maria da Vitória.

Hoje, Mário Cesar Santos, 39 anos, o “Cesinha”, é um dos percussionistas mais bem referenciados na região. Também se destaca como compositor arranjador e baterista. Depois de participar de diversas bandas, dedicou-se à produção musical, montou o stúdio, faz jingles comerciais e políticos que são veiculados na mídia eletrônica, sobretudo nas emissoras de rádio e sempre que pode apresenta-se em eventos sociais. É da sua autoria o jingle “Mainha”, que na voz da cantora Jaqueline Torres foi peça importante na campanha eleitoral da prefeita Maria das Graças. Cesinha é casado com Jaqueline Torres e tem um filho de nove anos chamado Guilherme.
O talentoso percussionista, filho da ex-vereadora Nilzélia e do pedreiro Marinaldo reconhece o apoio que recebeu dos seus pais para seguir em frente na profissão que escolheu. Seu avô paterno, Aurelino Alves de Oliveira, apelidado de “Nenem”, tocava banjo, instrumento de corda da família do alude, com armação circular, que foi desenvolvido no México pelos escravos e teve muito uso nos Estados Unidos na musica folk e pelos grupos bluegrass. 

Sabendo que a percussão também é fundamental para definir o caráter ou personalidade da música, Cesinha acredita que isto também possa ser aplicado nas pessoas. Sendo assim ele pretende realizar um trabalho com crianças e adolescentes em risco social, canalizando-as para o aprendizado da percussão e desse modo afastando-as da marginalidade.

Sempre estudando, Cesinha pesquisa os ritmos primitivos, a diversidade dos instrumentos e até inventa alguns. Busca informações das sociedades que possuem músicas inteiramente executadas por instrumentos de percussão, particularmente tambores, que estão entre os instrumentos mais antigos do mundo. Na sua bagagem instrumental constam: agogô, bongô, birimbau, caxixi, cajon, castanholas, chocalhos, apitos, pandeiros, pratos, surdo, tamborim, triangulo, zabumba, reco-reco, ganzá e outros instrumentos.

Talento nato, o percussionista Cesinha escreveu seu nome na história da música ao tocar com artistas do quilate de Marli Brasil, Duda Perkata de Couro, Edir Pires, Trio de Juana, Duré, Caliandra e Jaqueline Torres, além das bandas Joedson, Pirraça, Marijuana, Cupido Vadio, Samba Light, Na Gandaia e Cupim de Ferro. Suas referencias na percussão são Raul Rekow e Giovanne Hidalgo que tocaram com o mexicano Carlos Santana, Marcio Brasil (da banda de Ivete Sangalo), Gustavo di Dalva e Carlinhos Brown, do qual ele confessa ser fã incondicional. Cesinha sabe que sua vida é movida pela percussão e sendo como as batidas do coração não podem parar de tocar. (Giro/ José Américo Castro).