quinta-feira, 12 de julho de 2018

Músicos da Região: A tranquilidade de Sussa na supremacia do contrabaixo

No palco ele se coloca discreto, tranquilo e infalível. Plenamente consciente de que executa um instrumento que garante o equilíbrio da banda, o pulso constante da música. Apareceu no rock’n roll, transitou pelo heavy metal e seus extremos subgêneros: black metal, death metal, passou pelo reggae, axé music, samba, forró... Tornou-se singular e plural, regional e universal, total. É por isso que seu talento tem sido requisitado por bandas de diversos gêneros musicais e ele se firma com simplicidade na supremacia do contra-baixo. Edmilson dos Santos Matos "Sussa", tem 40 anos, é natural de Ipiaú, casado com a professora Rita de Cássia Moreira e pai de Heitor, um menino de 11 meses. Vive em paz com sua família e amigos. Além de músico é funcionário público, lotado na Prefeitura Municipal de Ipiaú.
A carreira artística de Sussa teve inicio na banda Ceifador, com Rodrigo Hohllenwerger (guitarra base), Alisson Costa (solo) e Ronaldo (bateria). A experiência black e death metal, com vocais guturais, guitarras altamente distorcidas e letras com temas sombrios, prolongou-se por cinco anos. Nesse mesmo tempo participou da Gongolô, uma banda de estilo grunje, subgênero do rock alternativo, ao lado de Ubrais Barco, Rodrigo Hohllenwerger e do baterista Bruno Conceição. Passados os pesados impulsos da adolescência, o baixo de Sussa pulsou mais leve na banda “Baseado em Reggae” (Netão- bateria; Ramon-teclado; Habilidoso-percussão e Lelo Bala-guitarra), mas foi na Samba Light, de Ibirataia, que ele tornou-se um músico profissional.


Convivendo com Juninho San (vocal), Agamenon Oliveira (sax), Evelin Menezes (bateria) e Cesinha (percussão), Sussa ganhou mais versatilidade, ampliou conhecimentos. Durante cinco anos nesta banda ele viajou muito, tocou em diversos espaços, fez carnavais, amadureceu, cresceu. Em 2005 fundou, com Cesinha e Evelin Menezes, a banda “Na Gandaya”. No ano seguinte fez uma pausa para estudar agropecuária na Emarc de Uruçuça. Concluiu o curso e retornou ao mundo musical. Foi quando trabalhou com Duda na banda Perkata de Couro e participou da segunda formação da banda Cupim de Ferro. A fama de bom instrumentista lhe conduziu até palcos mais exigentes. Acompanhou famosos, dentre os quais o ator e cantor Dado Dolabela, o vocalista Anderson, do grupo Molejo, e o veterano Edy Star, uma lenda viva do rock e da MPB.  Poderia seguir com eles, mas concluiu que sua praia era mesmo Ipiaú.

Há 10 anos, desde os tempos do guitarrista Celso Rommel, participa da banda SodaPop, onde exerce liderança musical e desenvolve a natural vocação de roqueiro. Sussa fabrica o próprio instrumento e está sempre pesquisando, estudando a musica. Tem como referencias os baixistas Steve DiGiorgio, Artur Maia e Nico Assunção e cita o ipiauense Alê Barbosa como um artista diferenciado, pois navega com excelência tanto na musicalidade quanto na literatura. “É bom cantor, compositor, instrumentista e escritor”, explica. A jovem cantora Clara Sena é apontada por ele como uma grande revelação.

"O contrabaixo é a sustentação e o "tônico" musical. Não precisa de firulas e sim de um bom músico que sustente o balanço". E Sussa faz isso. Fica na dele, multiplica-se engrandecendo a arte musical no interior baiano. (Giro/José Américo Castro)