Personalidades Folclóricas de Ipiaú: Clarice do Mingau


A comerciante Clarice Souza Santos, popularmente conhecida como “Clarice do Mingau”, denominação adquirida em  decorrência da sua tradição de comercializar o nutritivo produto, é uma das personalidades mais queridas de Ipiaú. Diversas gerações reconhecem o seu valor e não são poucas as homenagens que lhe prestaram e continuam prestando. Até a Câmara de Vereadores expressou esse reconhecimento lhe concedendo a “Medalha Altino Cosme Cerqueira”, a mais importante honraria do município.
Trabalho, bondade e honestidade caracterizam a sua história de vida.

Clarisse iniciou sua trajetória comercial, ainda criança, vendendo doces na porta da Escola Celestina Bittencourt. Depois lhe arrumaram um cantinho no Ginásio de Rio Novo, onde passou a vender o mingau (de milho e tapioca) que lhe deu boa fama  e muito contribuiu para que entrasse definitivamente no folclore da cidade. Hoje a sua barraca na Praça Rui Barbosa (a mais central de Ipiaú ) é um referencial de boa acolhida e satisfação para todos que ali chegam. Ponto de encontro dos que acordam cedo, espécie de pronto socorro para os famintos que perambulam na madrugada ipiauense, lugar aconchegante onde “rola bom papo” e tem sempre uma novidade. O espaço também tem a sua história. Um ex-prefeito fanfarrão, sem nenhum conhecimento das tradições ipiauenses tentou excluir a Barraca de Clarice do cenário da praça. A população reagiu de imediato, expurgou o intento, mostrou que ela acumula generosidade e é patrimônio do município.
“E quanta gente a quem ela vendia fiado. Hoje tá de anel no dedo, é doutor é deputado”. É isso mesmo. A frase da canção (Maria do Colégio da Bahia) do genial Tom Zé, expoente do movimento tropicalista, define a relação de Clarice com as celebridades. Empresários, fazendeiros, médicos, advogados, atletas, artistas e políticos, dentre os quais o ex-ministro Waldeck Ornellas, a senadora Lidice da Mata (da qual é amiga e entusiasmada cabo eleitoral), o médico cardiologista Jadelson Andrade e o cantor Luiz Caldas se nutriram com o seu  famoso mingau que também alimenta aos anônimos, os viajantes, os guardas noturnos, os mendigos  e tantos, tantos  outros que um dia passaram pela cidade de Ipiaú ou aqui residem. Todos eles guardam Clarice, esse anjo bom da madrugada,   na mais reconhecida das lembranças. (Giro/José Américo Castro)