Joelma: A transexual do Sítio do Pica-Pau


Personalidades Folclóricas

Joelma foi a primeira transexual da Bahia. (Foto: Giro em Ipiaú)
Considerado um dos primeiros transexuais da região, Joel Patrício Novais, mais conhecido como “Joelma”, é uma das tantas personagens folclóricas de Ipiaú. Sua controvertida história motivou o cineasta Edson Bastos a produzir um filme que faturou o premio de “Melhor Curta Metragem Nacional” no 19° Festival Mix Brasil da Diversidade Sexual, ocorrido em São Paulo. O curta continua fazendo sucesso por todo o país e até mesmo no exterior. O personagem é interpretado pelo ator Fábio Vidal. Residente no Sitio do Pica-Pau Amarelo, periferia de Ipiaú, Joelma é mística, exótica e emblemática. Edificou a Igreja das 13 Almas, da qual é, ao mesmo tempo, fiel e sacerdotisa.

Multiplica-se. Todos respeitam o seu jeito de ser. Goza de muito carisma na comunidade onde habita. Por não querer ser Joel e continuar catando carvão na região do Burí, zona rural do município, resolveu ainda adolescente, fugir pra São Paulo. Foi na paulicéia desvairada que se liberou de vez e  conheceu o português João Freire Leal que ela afirma ser avô do cantor Roberto Leal. Com o dito lusitano conviveu por 22 anos. Recebeu atenção, boa vida e diz até ter sido alfabetizada. Em defesa do fidalgo Dom João, Joelma cometeu um homicídio. Isto lhe rendeu muito tempo de cadeia. João Leal chegou aos 101 anos de idade. Depois que ele morreu, Joelma conviveu com outro ancião: Esperidião de Souza Brito, tio de um dos seus advogados.

História da transexual ipiauense virou filme e peça teatral.(Foto:Divulgação)
Dramática, performática, geriátrica, Joelma, a original, diz que já escapou de 78 feitiços e que não tem preconceito em exibir seu corpo. Escancara, mostra as partes, garantindo serem dotadas do mais autêntico silicone. Aos curiosos avisa: ”Se olhar com maldade não vai enxergar nada”.  Joelma assegura que o sucesso do filme inspirado em sua pessoa não interferiu no seu cotidiano. Para alivio dos protagonistas de plantão, conclui: “Eu vivo do meu suor e não quero ser uma artista”. Siliconada, maquiada, pervertida, mal ou bem vestida, Joelma tem seu ponto de vista, seu estilo de Chiquita, bacana e sacrista. Mulher Maravilha da periferia ipiauense. “ O avesso, do avesso, do avesso… (Giro em Ipiaú/José Américo Castro).