Personalidade folclórica: Tarzan, o rei das emoções


Tarzan com seu amigo Cesão dono da saudosa  Cantina do ABC.
Filho de Zi, neto de Dr. Borges de Barros, o primeiro médico a chegar nesta terra, Paulo César “Tarzan” não tem a performance daquele lendário Rei das Selvas, mas o supera quando o assunto é emoção. Grandão, conversador, cara de vilão, coração de menino, Tarzan protagonizava um tipo bem diferenciado, o que não é raro na seara ipiauense. O apelido ele ganhou quando personificou o “homem macaco” em um dos bailes infantis das antigas micaretas do Rio Novo Tênis Clube. Quando “comia água” e lhe provocavam, Tarzam tirava de brabo, assustava leão, chutava a macaca, virava mesa, derrubava cadeira, fazia uma zuada danada. Depois se acomodava e chorava. Chorava a cântaros, vertia lágrimas apaixonadas, abraçava, cantava, gargalhava e tornava a chorar.
No cartaz da campanha politica.
Tarzan reinava no Rio Novo Tênis Clube e demais lugares onde a boemia lhe cabia.  Parceiro de Pio, Pixita, Taioba, Zé Augusto, Luis Tomate, Palitó, Evaldo, João Come Copo, Marcelo e Toninho Araponga, Cesão, Cika, Beto Sucuiuba, João Cocota e Pitanga, dentre outros festeiros exemplares, ele varava madrugadas em farras homéricas. Cortejava “as flores da noite”, cismava, enciumava quando outros olhares se voltavam àquelas mais destacadas, às ditas favoritas da sua gleba. Popularidade cultivada, Tarzan se arriscou na política. “O Candidato de Peso” foi o slogan que adotou na campanha de vereador na eleição de 1992. Os pretensos votos tiveram insustentável leveza e flutuaram, exalaram  antes mesmo de cair nas urnas. Tarzan então apurou que a sua era outra. 
Competente Técnico em Radiologia, Paulo César Borges de Barros Silva, deixou o Hospital do Estado e foi trabalhar no “Sarah Kubitschek”, em São Luis do Maranhão. Absorveu o que de melhor havia por lá. Casou, aposentou, se acomodou, mudou-se para Jundiá, interior de Alagoas, terra da sua amada Lia, onde está feliz da vida. De vez em quando aparece em Ipiaú, relembra historias, abraça os amigos, gargalha e chora, como a criança grandona que nunca deixou de ser. Criança, não em atitudes, mas em pureza e bom coração, pois ele, Tarzan, é rei na emoção. (Giro/José Américo Castro)