Série Ruas de Ipiaú: A tranquila e histórica Silva Jardim

segunda-feira, janeiro 14, 2019
Por José Américo Castro
Discreta, pacata, charmosa, a Rua Silva Jardim é uma das tradicionais artérias centrais de Ipiaú. Faz a ligação com as ruas Siqueira Campos, José Muniz Ferreira, Rio Branco e José Miraglia, conserva a boa pavimentação a paralelepípedo e apresenta um conjunto arquitetônico que guarda características do tempo em que a cidade se aprumava rumo ao progresso. Três formas de relevo: planície, ladeira e planalto, constituem o seu traçado. Nela funcionou por varias décadas o Rio Novo Tênis Clube, além da primeira unidade hospitalar e a primeira escola de datilografia de Ipiaú. Tinha até uma fábrica de refrigerante. Alguns estabelecimentos comerciais que se tornaram famosos pelo bom atendimento prestado à população, tiveram endereço neste logradouro. A  história prossegue em seu curso, impondo o devido registro das coisas. Mais uma vez recorremos ao memorialista Adelson Carvalho para nos dizer das famílias, dos habitantes ilustres, dos fatos que marcaram época e dos respeitáveis cidadãos que habitaram na Rua Silva Jardim, ou que ainda permanecem nesta rua ao lado de novos moradores.
As primeiras casas da Rua Silva Jardim foram erguidas em meados de 1940. É provável que na gestão do prefeito Pedro Caetano ((1948-1952) tenha iniciado o seu processo de urbanização. A Silva Jardim começou a se alongar a partir das imediações do Rio Novo Tênis Clube, na sua parte baixa, onde moravam os médicos Noé Bonfim e Asdrúbal Borges de Barros, além professor Roque Menezes que concorreu com Euclides Neto, ao cargo de prefeito do município, na eleição municipal de 1962. Na casa de Roque funcionou a primeira escola de datilografia da cidade. 

Eleaquim Pinheiro de Brito, Mario Dorothéia e Dão foram outros moradores desta área da rua onde existiam históricos estabelecimentos comerciais. O Armarinho Violeta, de Lotavino Ribeiro, posteriormente transferido para a Rua Dois de Julho, uma filial da Farmácia Bahia, onde trabalhava Jacy Barreto, e a venda de um italiano conhecido como seu Marôto, famosa pelas cocadas e o refresco “Moreninha, tinham endereço na área. Atualmente o espaço conta com duas óticas e um escritório de advocacia.

DA LADEIRA PRA CIMA
Na parte ingrime ficavam as casas mais bonitas. Nelas moravam, com suas famílias, Ernesto Barbosa, Antonio Queiroz, Áureo Vaz, Miguel Tannus, Normando Suarez, Euro, Antonio Brandi, Macário, Lidia Dorotheia, Gildésio Barreto, José França, Wilson Matos e Manoel Moreira Alves, o “Mestre Nezinho”. Na ladeira também ficava a Casa de Saúde e Maternidade São José, empreendimento dos médico Nestor Mesquita Martins e Manoel Desiderio Neto. O primeiro cirurgião, o segundo clínico geral, ambos competentes e queridos. Hoje no lugar da Casa de Saúde encontra-se a mansão construída por Dr. Mesquita. Também tinha uma fabrica de refrigerante, de Carlos Borges de Souza.

Mais acima, chegando na parte alta da rua onde aconteciam memoráveis festas juninas e localiza-se o Juizado de Pequenas Causas, moravam os professores Carlito e Aldo Tripoldi, o coletor Adalberto Sampaio (seu Bebeto), seu Juvino, pai de Enedina, professora de datilografia, seu Januário e dona Romilda,seu Alvinho e dona Anisia, Marinho Muniz, dona Derlí, seu Alfredo, seu Maneca...

Ainda residem ali o ex prefeito Zequinha Borges e as famílias de Nel Matos, Manoel Virgílio, Ariston (açougueiro) e Robalo "Motorista". João Barbosa, Mário Duarte, proprietário de uma padaria na esquina com a Praça Antonio Linhares, João Olegário e os folclóricos Patêca, Clarice do Mingau, Deledel, seu Massú, e a mendiga Zizinha, marcaram a historia do lugar. No finalzinho da parte elevada ficava a venda de João Teodoro que depois deu lugar a uma padaria.

Algumas transformações aconteceram, novos moradores chegaram, mas a Rua Silva Jardim se mantém tranquila, contrastando com as demais do centro da cidade, onde é intenso do transito de veículos e o fluxo de pedestres.

ENGOLIDO PELO VULCÃO
A rua tem este nome em homenagem ao ativista político brasileiro Antônio da Silva Jardim (1860-1891). Ele era formado em Direito, exercia o jornalismo e defendia principalmente as causas dos escravos. Foi o mais atuante propagandista da República. Nasceu no município de Capivari, hoje Silva Jardim, no Rio de Janeiro, e morreu de maneira trágica em Pompéia, na Itália, quando observava a cratera do Vesúvio. Aproximou-se da borda da cratera no exato momento que o solo tremeu e foi tragado pelo vulcão. (GIRO/José Américo Castro)