Construção inacabada do Santa Paula volta a ser discutida por moradores de Ipiaú

terça-feira, fevereiro 26, 2019
Prédio inacabado chega aos 40 anos (Fotos: Redes Sociais)
Em tempos de catástrofes e acidentes em obras monumentais, por negligencia humana, aumenta a preocupação da população em relação ao inacabado prédio do Edifício Santa Paula. Símbolo da frustração ipiauense por uma cidade verticalizada e com pretensões de torna-se capital do território do médio Rio das Contas, o espigão foi erguido no final dos anos 70, mas não chegou a ser concluído. Na década de 1980 a obra foi interrompida ficando o abandono edificado. Apesar de alguns afirmarem que o prédio tem estrutura solida e segura, muitos desconfiam que a longevidade da interrupção, aliada às intempéries, falta de manutenção em sua torre e até a ausência de uma fiscalização mais rigorosa por parte dos órgãos técnicos especializados, possam comprometê-lo de maneira trágica. “Prevenir é melhor do que remediar”, recomenda a sabedoria popular. 
Obra teve início no fim dos anos 70.
Lá se vão 40 anos desde que a obra do Edifício Maison Valle dos Rios iniciada pela Construtora e Incorporadora Santa Paula, da cidade de Itabuna, foi interrompida. Por uma dessas ironias do destino o nome da firma que dizem ter ido à falência, substituiu a pomposa denominação oficial do prédio de nove andares, cada um com dois apartamentos, medindo 135 metros quadrados, dotados de três quartos, suíte e outras dependências. 

TORRE DE BABEL
Na altitude, de aproximadamente 50 metros, a torre paira sobre as cabeças e almas da população ipiauense. A esperança de outrora vem sendo substituída  pela desconfiança dos dias atuais, tão cheios de surpresas desagradáveis.  Alguma semelhança tem, em essência, o espigão ipiauense com a bíblica Torre de Babel. Os homens que investiram na construção de ambas se desentenderam e passaram a falar em línguas diferentes quando se aproximavam do objetivo pretendido. Enquanto o empresário Alex Muniz Ferreira (dono da maioria dos apartamentos pensava na conclusão do projeto, outros proprietários resistiam  quanto à possibilidade de qualquer investimento imediato, até mesmo o de  vender  os apartamentos restantes ao condômino majoritário que também é proprietário do   mini Shoping Liberdade, no andar térreo e sobreloja  do prédio. A cobertura pertence ao Rotary Clube de Ipiaú.

“Tendo outros proprietários no prédio não me sinto à vontade em fazer um  investimento mais ousado ”, salientou Alex Muniz. O certo é que se trata de especulação generalizada.  Em entrevista a um órgão da imprensa local, Alex revelou que se por acaso os demais proprietários mudem de opinião, ele   pretende buscar uma parceria com empresas construtoras no sentido  que sejam adotados os procedimentos necessários para a conclusão da obra. Agora se especula que uma empresa de São Paulo estaria disposta a negociar com os proprietários a conclusão da obra, embora venha encontrando resistência por parte de um deles. “Os demais, entretanto, já concordaram, e pressionam por uma solução”, informa o site Ipiaú Online. 

ABANDONO EDIFICADO
Urge uma solução, uma resposta à cidade, à população preocupada. O CREA, a Prefeitura, Câmara Municipal, enfim a sociedade organizada, precisam interferir trazer uma explicação convincente quanto a segurança do prédio, antes que seja tarde. O saudoso professor Vitor Hugo Martins, com sua capacidade de extraordinário cronista teceu o seguinte comentário a respeito  do Santa Paula:  “Este titã de ferro e concreto parece agonizar pública e silenciosamente: suas varandas-orbitas vazias de caveira-; suas janelas devassáveis à ira dos ventos, às águas, ao fogo do sol de Ipiaú; o reboco aqui, ali e acolá, dissolvendo, esgarçando-se feito epiderme velha; em tudo ele é um abandono edificado. É, a um só tempo, esplendor e sepultura, como disse um poeta parnasiano da Língua Portuguesa”. (Giro/José Américo Castro).