Projeto Pensando Bem: Somos árvores

sábado, março 16, 2019
Por Everaldo Jr. (Psicólogo)
Eu gosto de pensar e entender o ser humano da seguinte forma: comparando uma pessoa a uma árvore, cada uma em seu solo, com suas raízes, seus troncos, galhos, folhas e frutos – frutos verdes, azedos, doces, macios, ásperos, espinhosos, cítricos, refrescantes, aromatizantes, odorosos. Enfim, cada árvore com sua exuberância, tons de verdes que são quase que infinitos. Já que o meu modo de pensar me permite fazer uma alegoria entre árvore ser igual a uma pessoa, quais seriam os critérios ou significados que me fizeram enxergar semelhanças entre criatura, um ser bio-psico-socio-emocional e espiritual com um ornamento da natureza? Pois bem, vamos às comparações!

Primeiro, vamos para o processo de desenvolvimento da árvore. É sabido que eu não sou biólogo, então, qualquer tentativa de explicar como uma árvore se desenvolve, é fruto de imaginação e pouco conhecimento, também. Sei que para ela chegar ao seu processo final, primeiro se planta a semente, ela germina, crescem as raízes, logo em seguida vem o caule que com paciência, sem pressa, se transformará em um tronco firme, porém ainda com poucas folhas e finos galhos. Seguindo, o tronco se firma, os galhos também, as folhas brilham em sua juventude e em seu tempo certo, nascem os frutos! Uma semente plantada em um bom solo, recebendo os melhores nutrientes, tendo luz solar e água, será vibrante em sua cor, será agradável aos olhos, será frondosa e frutificará.

Pronto! Agora vamos para a parte que nos interessa? Afinal, como é que eu me pareço com uma árvore? Vamos por partes! Imagine que você, caro leitor, foi uma semente plantada em um determinado solo, que germinou, criou raízes, o tronco, os galhos e desenvolveu os mais diversos frutos. Imagine que eles são o resultado de todas as influências que você teve durante seu desenvolvimento, principalmente na formação das raízes, base de todas as árvores.

Todas as suas ações, quer sejam físicas, emocionais, mentais e comportamentais, são os frutos decorrentes da base, das raízes. Existem ideias sobre nós mesmos, sobre os eventos da vida, sobre o que sentimos, sobre os outros, o mundo, sobre tudo, que são crenças básicas formadas no início do seu desenvolvimento, quando estavam sendo formadas as raízes de sua vida! Tem gente que tem boas raízes e produzem bons frutos, mas outras pessoas que infelizmente não tiveram “boas” raízes, não estão produzindo os frutos desejáveis.

É por isso que é tão importante cuidarmos uns dos outros, principalmente quando estamos nos primeiros anos de nosso desenvolvimento. Quando uma criança ouve, por exemplo, que faz tudo errado, ela entende como verdade e ali nasce uma raiz do “sou incapaz” = fruto. Quando uma criança não recebe o amor que deveria, nasce uma raiz do “desamor”, “ninguém me ama!” = fruto. Quando uma criança é abandonada, até mesmo emocionalmente, nasce a raiz do “desamparo”, “sou uma pessoa só”.  Então, assim como árvores, nós precisamos dos bons ingredientes da vida: afeto positivo, segurança, confiança, perdão e etc.

Para a Psicologia, qualquer pessoa que foi gerada em um “solo” infértil e que por isso gera frutos desagradáveis ao paladar, pode sim, cortar o mal pela raiz. É um processo delicado, já que estamos falando de raízes e muitos casos precisarão de um processo de terapia para auxiliar na substituição dessas crenças que geram frutos infelizes por crenças que trazem paz. Há sempre uma nova alternativa para entendermos a nossa vida e superarmos os nossos desafios!