Personalidade Folclórica de Ipiaú: Afrodísio com a música e o amor de sete mulheres


Afrodísio é pai de 17 filhos (Foto: Arquivo Pessoal)

Ele se chamava Afrodisio e teve ao mesmo tempo sete mulheres que lhes deram 17 filhos, frutos de uma virilidade descomunal que talvez se explique no significado do próprio nome: “consagrado a Afrodite”, a deusa do amor, da beleza e do sexo. Convivia bem com todas e elas procuravam se harmonizar e compreender seu jeito diferenciado de ser. O sustento das famílias era garantido pelo cargo de funcionário público estadual num posto de saúde da cidade e pela atividade de músico, além de empreendedor do ramo da construção civil. Ergueu inúmeras casas na cidade, alguns dos antigos imóveis da Rua da Batateira foram construídas por ele. No baba do Barro lhe chamavam de “Tcheca”. Era do tipo de zagueiro que jogava duro, batia muito, estando sempre de prontidão para dá o troco em quem lhe pegava. Torcia pelo Flamengo e gostava muito de contar histórias do brega.

Afrodisio de Sá Barros, 88 anos, primogênito do casal Ramiro Artur de Sá e Elisa de Sá Barros que teve outros seis filhos, nasceu na antiga Rua do ABC, atualmente chamada de Tomé de Souza, centro de Ipiaú, onde desde criança mostrou tendência para a música, cantando e assoviando modinhas da época. Seus dotes de galanteador foram revelados ainda na infância, nas brincadeiras de “esconde esconde” com as meninas da vizinhança. Em cada escondida encontrava o que procurava naquelas ocasiões do despertar da libido. Quando adolescente tinha sempre uma namorada disposta a lhe proporcionar prazer.
O MÚSICO
O dom da música lhe abriu as portas da boemia, unindo o útil ao agradável. No Jazz Band 15 de Maio, regido pelo Mestre Lôla (Eulógio Santana), criou afinidades com o saxofone, familiarizou-se com os ritmos dançantes (rumba, fox-trots, chá-chá-chá, bolero, chorinho, gafieira…), tocou em diversas cidades, chamou a atenção da mulherada, forjou capítulos importantes da sua própria história. Nas datas cívicas e religiosas o Jazz Band ganhava aspecto de filarmônica.
Ioiô também participou da Filarmônica Alberto Pinto que sob a regência do Mestre Osório formava a vanguarda festiva das campanhas do antigo MDB de Hildebrando Nunes Rezende, Odilon Costa, Euclides Neto e cia.
O melhor da boemia, Afrodisio viveu no Conjunto Lunar, o grupo que ele próprio criou e reuniu músicos como Tonhe Lambança, Mero, Véi, Salvador do Cavaquinho, Sabiá (cantor), Zeca do Trombone e seu filho Nailton que tocava bateria, dentre outros. O Lunar fez sucesso nos cabarés de Ipiaú e região, executando gafieiras, boleros, dando mais clima ao ambiente de luxuria e luz vermelha.
O HARÉM
Em revezamentos visitava as sete mulheres, dando-lhes atenção e sustento. Foi legalmente casado com Jesulina e teve uma convivência mais assídua com Odilia, ambas não lhes deram filhos. Em compensação Flordinice (mãe do ex-vereador Nasser Barros) e Sônia geraram 10 filhos, cinco cada uma. Com Maura (mãe de Nailton) foram três filhos, a mesma quantidade com Ernestina (mãe de Sidnei Batista, o popular “Baleião”) e um com Carmelita. Excetuando Jesulina que era funcionária da Prefeitura, as demais mulheres de Afrodísio trabalhavam como lavadeiras.
Quando Ioiô morreu em 2004, devido a complicações cardíacas, todas compareceram ao velório na casa de Odília e entre lágrimas e gargalhadas rememoraram proezas do amante em comum. Muitas outras também apareceram dizendo que tinham merecidos seus impulsos e safadezas.( Giro/José Américo Castro).