Opinião: Seleção desorganizada e Messi decepcionante são o retrato tenebroso da Argentina


Argentina ficou no empate com o Paraguai.

“Hoje, a camisa não ganha jogo”. Essa frase de Lionel Messi, cinco vezes melhor do mundo, na zona mista em entrevista à imprensa, revela sua resignação em face do momento tenebroso que vive a seleção argentina. Os jornais argentinos “bateram” categoricamente na seleção, que em dois jogos na Copa América, vê sua classificação à próxima fase ameaçada.

A derrocada dos argentinos vem de alguns anos, desde problemas na AFA (Associação de Futebol da Argentina), a escolhas equivocadas de treinadores como Diego Maradona e Edgardo Bauzza e do declínio técnico de peças importantes. O período pós-Copa 2018 credenciou o jovem Scaloni, de 41 anos, ao posto de treinador, mas em sua primeira competição oficial, está evidente sua desqualificação para o cargo. Além disso, a reformulação feita na seleção não vem surtindo efeito, visto que alguns convocados apresentam sérias limitações técnicas, como Paredes e Pereyra, titulares contra o Paraguai.

O time da Argentina é um bando em campo. Sem nenhuma organização tática, linhas distantes, laterais deficientes e um meio campo oco, tem sido presa fácil para os adversários. Não fosse a seleção do Paraguai tão limitada, e a Argentina amargaria mais uma derrota. Scaloni não conseguiu encontrar o time ideal e está perdido, não sabe o que fazer. Somado a isso, o fator Messi não tem feito a diferença, é disso que quero falar no próximo parágrafo.

Messi. Um gênio do futebol. Um senhor jogador, batedor de recordes e já marcado na história como um dos melhores por tudo que fez… no CLUBE. No Barcelona, um fenômeno, na seleção argentina, apenas mais um do bando. “Ah, mas o Barcelona é melhor que a Argentina”, dirão alguns. Independente dessa verdade, por que na Argentina Messi não luta como no Barcelona? Por que quando a bola não chega não recua para receber a bola dos volantes a fim de dar continuidade nas jogadas? Por que é tão pouco vibrante, sem gana e sem prazer em jogar na Alviceleste? Não é que a Argentina tem uma seleção ruim, é que o Messi, que é o cara, nem mesmo tem se esforçado minimamente para, pelo menos, mostrar que tem tentado na individualidade resolver a situação. O melhor mesmo para Messi seria se aposentar da seleção, pois essa camisa não lhe dá nenhum prazer.

Contra o Catar, que empatou com o Paraguai e vendeu caro a derrota para a Colômbia, a Argentina terá que jogar o que ainda não jogou. A melhor formação, hoje, para a Argentina seria um 4-2-3-1, sem mexer na linha de quatro da defesa, mas no meio campo jogar com Paredes de primeiro volante, com Lo Celso ao seu lado responsável pela transição, tem melhor passe e é mais ágil que Paredes; Na linha de três entrar com Dybala pela direita, Lautaro Martinez na esquerda e Messi centralizado, como armador e cabeça pensante; como referência no ataque Sergio Aguero. Compactar bem as linhas, adiantar a linha dos zagueiros ao meio campo e este do ataque, para o time ficar mais coeso. A formação pode ter variáveis, como quando o time estiver com a bola ficar no 4-1-4-1, com Lo Celso adiantando seu posicionamento à linha de três homens, e sem bola 4-5-1, com os pontas Martinez e Dybala recuando, fechando os seus respectivos setores. Mas mais do que reorganizar taticamente a equipe, Scaloni precisará recuperar a confiança dos jogadores com um precioso trabalho de motivação. A conferir o desenrolar dessa seleção que, até aqui, é decepcionante.