GIRO entrevista Valdir Espinosa, treinador campeão da Libertadores com o Grêmio em 1983


Valdir Atahualpa Ramirez Espinosa, mais conhecido como Valdir Espinosa, 71 anos, treinador de futebol e muito estudioso taticamente, concedeu entrevista ao GIRO, por meio do repórter Romário Henderson, em contato via email. Valdir Espinosa já treinou clubes como Fluminense, Vasco, Flamengo, Botafogo, Grêmio, Atlético MG, Cerro Porteño (Paraguai), Al Hilal (Arábia Saudita), Verdy Tokyo (Japão), Palmeiras, entre outros. As suas maiores conquistas foram pelo Grêmio, conquistando a Copa Libertadores da América e a Taça Intercontinental, ambos em 1983. Espinosa respondeu algumas perguntas acerca do futebol atual, deixando pra outra oportunidade, com mais calma, assuntos envolvendo sua carreira e conquistas. A seguir veja a entrevista completa.

GIRO: Você concorda que o futebol brasileiro está atrás do futebol europeu taticamente? Se sim, a que se deve isso?
Espinosa – Concordo! É que nós passamos a ser os europeus de ontem e eles passaram a ser o que nós éramos, desta forma eles passaram a buscar mais qualidade.

GIRO: Você se identifica com o futebol ofensivo. Como preparar uma equipe para jogar ofensivamente sem ser tanto exposta ao adversário?
Espinosa– Primeiro fazer o simples: com bola ataca e sem bola defende. Todos!
Segundo: ter um desenho tático e treinar para ele ser bem executado no jogo.
Fazer os jogadores acreditarem e se envolverem no processo.
Por último não tentar equilibrar o jogo e sim desequilibrá-lo.

GIRO: Falando em posse de bola, os times do Fernando Diniz têm essa característica. Esse estilo de jogo te agrada?
Espinosa – Não, porque é uma posse de bola que joga muito mais para trás do que pra frente.
É uma posse de bola que impede e está acabando com uma coisa muito importante no futebol, que é o drible.

GIRO: Como você enxerga a vinda de Sampaoli e Jorge Jesus para o futebol brasileiro? O que o futebol brasileiro pode ganhar com eles?
Espinosa – O mais importante é não analisar pelo passaporte e sim o trabalho que eles vão fazer.

GIRO: Neymar é o maior talento brasileiro. No entanto, virou piada mundial pós-Copa pelo cai cai e ultimamente esteve envolvido em páginas policiais, deu soco em torcedor e tem forçado sua saída do PSG. Qual a sua avaliação acerca de Neymar e o quanto esses fatores podem prejudicar a sua carreira?
Espinosa – O nível técnico dele é extraordinário, mas realmente estes fatos trazem um prejuízo para ele.
O mais importante hoje é não atirar pedra no Neymar e sim fazer dele um exemplo para os mais jovens e futuros jogadores para que eles não caiam nas mesmas armadilhas.

GIRO: A Seleção Brasileira conseguiu resgatar um pouco do protagonismo nas Eliminatórias para a Copa 2018, depois que Tite assumiu. Mas tanto na Copa do Mundo, quanto na Copa América, o desempenho oscilou bastante, sendo mais pragmático. Qual a sua análise sobre o comando do Tite e o que falta para nossa seleção voltar a ganhar a Copa do Mundo?
Espinosa – Nas eliminatórias se dividiu sucesso e na Copa do Mundo e na Copa América se buscou o sucesso individual. E o que digo para as equipes vale também para a seleção, busque o desequilíbrio. Para ganhar outra Copa, é preciso voltar a ser Brasil!