Bloco Turma do Funil é destaque em livro sobre a micareta de Ipiaú


No próximo ano deverá ser lançado o livro “Civilização Ipiauense”, do autoria do advogado, professor e historiador Paulo Andrade Magalhães que traz relatos e imagens icnográficas das famosas micaretas ocorridas nesta cidade, além de outros focos da nossa história. Fontes que vivenciaram várias décadas foram pesquisadas para que a obra retrate o festejo com a máxima fidelidade possível. Nesse contexto não poderia ficar de fora o badalado bloco “Turma do Funil” que marcou presença em inúmeras edições da festa e chegou a reunir 3.500 pessoas em uma das suas apresentações. Fundado em novembro de 1978, por um grupo de amigos, dentre eles Carlos Alberto Mattos (Ral), Arnaldo Barreto e Paulo Potó, o bloco ganhou fama, atraindo gente de toda a região. A mortalha azul com estampa desenhada pelo artista Herbeth Campos, até hoje é lembrada pelos foliões pioneiros. No decorrer do tempo foram adotadas outras cores e fantasias. O macacão e os abadás vestiram as gerações que sucediam e mantinham a animação de sempre.A marchinha de Mirabeau Pinheiro, em parceria com Milton Oliveira e Urgel de Castro, seria adotada como hino do bloco. Nenhum folião deixava de repetir o refrão: “Chegou a turma do funil, todo mundo bebe, mas ninguém dorme no ponto…” Um funil pendurado no pescoço servia de copo para beber o combustível que movia a animada turma. Quando o Funil passava todo mundo se balançava, ninguém queria perder a oportunidade de absorver aquela energia contagiante, de ver tanta gente bonita reunida. A farra parecia não ter fim. Muitos namoros que resultaram em sólidos casamentos tiveram inicio naquela folia. A entidade carnavalesca incentivou “Ral” a produzir eventos que contribuíram para tornar Ipiaú um importante pólo cultural do Território do Médio Rio das Contas.

TRIOS E BANDASAlguns dos trios elétricos mais famosos da Bahia, conduzindo celebres bandas puxaram o Bloco do Funil nas ruas desta cidade. Tapajós, Marajós, Axé e Cia, Navegador, Mega Love, Som Felipe, estão nessa história festiva. As bandas Patchanka e Rapazolla se destacaram como animadoras de um dos momentos mais importantes do bloco.Quando as ruas se tornaram inapropriadas para os desfiles “O Funil”, partiu para as festas de circuitos fechados, geralmente na AABB e no Estádio Pedro Caetano. Foi aí que “Ral” descobriu seu talento de produtor de grandes eventos. Nessa época fizeram a festa as bandas Saia Rodada, Chiclete com Banana, Calcinha Preta, Magníficos, Calypso, Cavaleiros do Forró e Parangolé, dentre outras. Ao transferir os eventos para circuitos fechados, o bloco ganhou estilo mais sofisticado, novas cores: verde, amarelo, lilás, laranja. Tudo de acordo com o momento. A Turma do Funil”, marcou a vida de “Ral” e milhares de outras pessoas, amantes da folia. O registro no livro de Paulo Magalhães proporcionará que os pesquisadores do futuro tomem conhecimento dessa entidade carnavalesca do passado e que continua presente no imaginário da civilização ipiauense.( Giro/ José Américo Castro).