Ao Giro, Alan Bahia fala da sua trajetória no futebol e da expectativa no Doce Mel


O Doce Mel Esporte Clube montou uma comissão técnica de primeira categoria. Entre os profissionais contratados está Alan Bahia, campeão nacional, vice-campeão da Libertadores e muita bagagem e história pra contar. Sua experiência no futebol lhe credenciou a estar compondo a comissão técnica do Doce Mel, na função de auxiliar técnico. O ex-atleta conversou com o repórter Romário Henderson, falando de sua carreira profissional e de seu novo desafio na equipe do Doce Mel.

Alan Bahia atuou por muitos anos no Athletico Paranaense.

Giro: Como você chegou ao profissional do Athletico Paranaense?
– Cheguei através da escolinha do professor Narciso, em Itabuna. O finado Moraes me viu jogando na escolinha dele, gostou do meu futebol e me levou para Araxá-MG, com apenas 14 anos. Fiquei dois meses em Araxá, fiz uma avaliação contra o Cruzeiro na qual fui aprovado. Depois fiz outra avaliação contra o Athlético PR, onde fui aprovado também. Então tive duas escolhas, ir para o Cruzeiro ou para o Athletico PR. Escolhi o Athletico, onde cheguei em 98 e fiquei até 2014.

Giro: Em 2001, na conquista do Campeonato Brasileiro, você tinha 19 anos. Você não chegou a jogar nenhuma partida, mas já estava treinando com o time campeão. O quanto foi importante para a sua carreira participar de um time campeão brasileiro e a convivência com atletas mais experientes e consagrados?
– Foi muito importante. Recém subido da base e já fazendo parte de um grupo que se sagrou campeão brasileiro me ajudou bastante. Treinava junto com o grupo, isso me fez amadurecer muito rápido. Em 2002 já assumi a titularidade da equipe e segui por muitos anos. Em 2004 fui vice-campeão brasileiro, fui vice-campeão da Libertadores em 2005, então isso ajudou demais no crescimento de minha carreira.

Giro: Em 2008 você teve um grande ano. Era o capitão do time e marcou incríveis 13 gols no brasileiro, marca anormal para um volante. Você considera esse como o melhor ano de sua carreira?
– Foi um dos melhores anos. Em 2005 também tive um ano muito bom, onde fui o terceiro melhor volante do Campeonato Brasileiro, fiz 8 a 9 gols no Brasileiro, mas em 2008 realmente foi um ano em que eu pude fazer bastante gols.

Giro: Você era o cobrador de pênaltis do Athletico, e foi o primeiro a bater com a famosa paradinha. Como foi que você definiu essa maneira de bater pênaltis?
– Surgiu de um treinamento. No dia a dia eu e o Alex Mineiro treinávamos com os goleiros, e em um dos treinos eu fiz a paradinha. Daí eu percebi que dava pra bater assim, os goleiros diziam que dessa forma era quase impossível o goleiro não cair, então fui aprimorando a cada dia, e quando tive a oportunidade no jogo, consegui ter êxito.

Giro: Você atuou ao lado de grandes atletas. Quais você citaria que foram marcantes em sua carreira?
– Tive a oportunidade de jogar com Kleberson, pentacampeão do mundo, começamos juntos no Athletico PR, um cara merecedor. Também joguei com Alex Mineiro, temos uma grande amizade, um cara diferenciado no futebol, tem um currículo enorme, além de Kleber Pereira, Dagoberto, Jadson que atua pelo Corinthians, Fernandinho que está no Manchester City, foram vários grandes atletas que joguei.

Giro: A sua boa fase em 2008 te levou ao Vissel Kobe, do Japão. O que você pode falar sobe essa experiência internacional? Um país com cultura diferente, educação diferente, fuso horário diferente…
– Verdade. Uma experiência muito boa, única, um país em que eu aprendi a gostar, que respeita a todos. Tive a oportunidade de levar a minha família, isso facilitou muito a minha adaptação. Mas graças a Deus fui bem recebido lá no Japão.

Giro: Dentre os vários estádios que você jogou, tem algum especial?
– Já joguei em vários estádios no Brasil e no mundo, mas o Maracanã é diferente. Quando você entra naquele estádio, a sua adrenalina vai a mil, então é um estádio diferenciado. Como diz o ditado: “quem nunca jogou no Maracanã não é jogador”. Então Maracanã é um estádio muito especial de se jogar.

Giro: Qual o melhor treinador com o qual você trabalhou?
Cara, é difícil falar o melhor. Eu já trabalhei com inúmeros treinadores bons. Eu tenho um carinho muito grande por Levir Culpi, onde fomos vice-campeão brasileiro, um carinho pelo Geninho, que foi campeão brasileiro, também Mário Sérgio – que Deus o tenha -, foi um cara que me deu inúmeras oportunidades no Athletico, entre outros. Esses aí foram os diferenciados.

Giro: Você considera a sua carreira profissional bem sucedida?
– Com certeza. Eu agradeço muito a Deus pelo que ele fez por mim e por minha família. Não é fácil sair do interior da Bahia e ser vencedor no futebol, principalmente no Sul do Brasil, no Paraná. O futebol transformou a minha vida e a vida de minha família, então só tenho a agradecer por tudo que a bola me deu.

Giro: Como surgiu o contato do Doce Mel para a sua vinda?
Eu tenho vários amigos aqui em Ipiaú, já vinha acompanhando o time na segunda divisão, sei como é o projeto do Doce Mel, e isso me encantou. Tive uma conversa com meu amigo Rodrigo, ele me fez uma proposta e prontamente aceitei, porque sei do caráter das pessoas que estão na diretoria, do Marcelo, Brito, Catalão, Paulinho, Alípio, então são pessoas que fizeram com que eu acreditasse nesse projeto, e espero que a gente dê continuidade por muitos e muitos anos.

Giro: Você está apenas começando nessa função de auxiliar técnico. Você esteve no Nacional de Manaus e agora está no Doce Mel. O que o Alan Bahia traz para agregar ao Doce Mel nessa sua mais nova função?
– Graças a Deus eu pude trabalhar com inúmeros treinadores ao longo da minha carreira. Isso facilita bastante, porque a gente agrega tudo o que aprendeu de cada um, e agora nessa transição de jogador para auxiliar técnico, agregar de todos os treinadores um pouquinho. Tive uma experiência agora em trabalhar com Aderbal Lana, no Nacional de Manaus, fomos vice-campeões, então aqui no Doce Mel quero ser vencedor da mesma forma que fui como jogador. Acho que nossa experiência e rodagem em ter trabalhado com vários treinadores tem um algo mais pra passar para os jogadores.

Giro: O que a torcida pode esperar desse time do Doce Mel na primeira divisão do Baiano?
– Pode esperar um time aguerrido, que vai lutar em busca dos seus resultados. A segunda divisão é completamente diferente da primeira, a responsabilidade é grande, mas temos qualidade e experiência para conseguir fazer o nosso melhor. Estamos com um grande treinador, o Luiz Carlos Cruz, que tem uma bagagem que a gente não tem nem como falar, um cara vivido, que conquistou vários títulos por onde passou, então isso agrega muito pra gente, pra mim mesmo que estou fazendo essa transição de jogador pra auxiliar, e para o grupo, pois tem jogadores que nunca jogaram uma Série A do Baiano e agora vão ter a oportunidade de jogar, então a gente vai ser importante nesse detalhe.

Giro: A estrutura do clube sempre foi muito elogiada por todos que passaram por aqui. Você que já gozou de bons CT´s e boa estrutura, o que você pode falar acerca da estrutura que o clube está oferecendo a comissão técnica e jogadores?
– Estrutura boa. Não é uma estrutura de um time que joga Série A de Brasileiro, mas é a estrutura de uma equipe que joga Série A do Baiano. Estamos felizes, todos os jogadores estão gostando, eu particularmente não tenho do que reclamar, espero que a gente dê seguimento nesse trabalho.

O elenco do Doce Mel já começou a sua preparação para o Baianão 2020. Está marcado para o dia 2 de dezembro, aniversário da cidade, a apresentação oficial do time. O Doce Mel estreia dia 15 de janeiro, às 20h30, contra o Bahia de Feira, em Feira de Santana. (Giro/Romário Henderson)