Diretor do Doce Mel comenta experiência do clube na elite do Baianão e fala em reformulação no planejamento para 2021


Foto: Giro Ipiaú

O diretor do Doce Mel Esporte Clube, Marcelo Silva, em entrevista concedida ao repórter Romário Henderson, comentou acerca da inédita participação do Doce Mel na elite do futebol baiano, além de tratar de detalhes sobre mudanças no planejamento para 2021. Segue na íntegra o bate papo.

Giro: O Doce Mel estreou pela primeira vez em sua história na elite do futebol baiano. Conte-nos um pouco dessa primeira experiência.
– Foi uma experiência muito boa, muitas novidades, de fora parece ser fácil, mas vivenciando ali é algo muito complexo. Até pouco tempo falávamos de amadorismo e intermunicipal. Mesmo tendo algumas experiências como 2008 e 2010, onde não conseguimos lograr êxito, ainda estávamos tentando entender tudo aquilo ali. Em 2019 foi um ano atípico, quando nós resolvemos nos inscrever na competição, mas com mais experiência pela vivência em 2008 e 2010, aprendizagem do dia a dia, aperfeiçoamento em alguns cursos e a vivência com pessoas do ramo. Saímos do amador, fomos para a segunda divisão do profissional, conseguimos o objetivo que era o acesso à primeira divisão. Chegando lá, vimos que há uma diferença entre a primeira e a segunda divisão, mas foi uma experiência muito proveitosa, e esperamos fazer de uma forma diferente em 2021 em relação a coisas que nós fizemos agora em 2020, por não ter noção completamente de tudo aquilo que a gente vivenciaria na primeira divisão.

Giro: O time se apresentou antes de todos os outros, ofereceu estrutura de primeira linha, atendeu aos desejos dos treinadores que aqui tiveram, honrou os compromissos financeiros, etc. Como você poderia explicar a campanha ruim que o clube fez?
– É muito difícil se explicar uma campanha tão ruim. Como bem disse você, nos apresentamos antes de todas as equipes, acho que só os grandes que já tinham um time formado. Nossa estrutura muito boa, a comissão técnica e jogadores aprovaram, e aqueles jogadores que nós pontuamos e que fariam um trabalho diferente. O nosso pensamento de buscar jogadores de outra praça foi muito bom, apesar que alguns não se familiarizaram com o Campeonato Baiano, que é realmente diferente, principalmente os atletas que vieram do sul e sudeste do país. É como diz meu presidente, não é uma receita de bolo onde vamos bater e vai ter um resultado normal. No andamento do campeonato notamos algumas falhas que poderiam ser corrigidas e assim foi feito. Teve a chegada do professor Índio e de alguns atletas e a dispensa de outros, assim conseguimos equacionar. Infelizmente com essa turbulência que acontece no Brasil e no mundo, fez com que a competição não chegasse ao seu final, mas cremos piamente que aquele time que vinha de um empate em casa e com o Bahia na Fonte Nova, reagiria nas últimas duas partidas. Então é difícil explicar a campanha ruim, até porque montamos uma estrutura para brigarmos entre os quatro lá em cima.

Giro: Com a suspensão por tempo indeterminado do Baianão, vocês já trabalham com a possibilidade de que o Doce Mel está garantido na primeira divisão?
– Estamos aguardando a definição da FBF, que provavelmente está aguardando posicionamento da CBF. Estamos vivendo num momento crítico, onde não sabemos quando começou e nem quando vai terminar essa pandemia que vem assolando o mundo inteiro. Estamos aguardando uma definição da entidade máxima do futebol brasileiro, mas achamos muito difícil que o campeonato retorne, até porque existem muitas vertentes que a FBF não teria facilidade para absorver, como por exemplo: os jogadores estão há 15 dias parados e a gente não sabe quando vai acabar essa pandemia, fala-se em maio ou junho, pra chegarmos numa situação mais amena, mas não sabemos se de fato isso vai acontecer. Então suponhamos que maio ou junho esteja liberado, então você vai recontratar esses jogadores, fazer pré-temporada pra fazer dois jogos? Sem contar que se isso viesse a acontecer, algumas equipes talvez não teria tanta responsabilidade. Um exemplo: O Vitória da Conquista faria seu último jogo contra o Jacobina, que brigava para não cair. Será que o Conquista teria essa responsabilidade de recontratar jogadores pra jogar uma partida decisiva que para eles não teria tanta importância, mas que para o Doce Mel teria? Então eu acho muito difícil o retorno dessa competição, mas vamos aguardar a FBF e CBF pra saber quais os próximos passos a serem adotados pelas equipes, mas já estamos pensando em 2021, até porque temos que passar uma borracha em 2020 e apagar tudo isso que aconteceu.

Giro: Para a temporada 2021, se baseando que o clube está garantido na elite, a diretoria pretende fazer ajustes no planejamento e na montagem do elenco em relação ao que foi feito esse ano?
– Pensamos sim na temporada 2021, e com certeza não serão apenas ajustes não, são reformulações de todo o planejamento que foi feito em 2020. Algumas atitudes serão tomadas, algumas peças serão trocadas, não há dúvidas disso. O clube conversa com o técnico Índio, foi uma pessoa que chegou para somar e acredito que tem boas chances de permanecer à frente do clube, caso assim ele queira, mas existe as conversas entre as partes. Ele gostou muito da cidade e de tudo o que encontrou aqui, infelizmente não pôde mostrar seu trabalho de uma forma completa. O clube pretende manter o planejamento de começar antes, mais uma vez, começar em novembro, se assim o país tiver livre de toda essa turbulência que vem passando, montar um elenco mesclado, com jogadores de experiência no Campeonato Baiano, alguns que tiveram sua primeira experiência no estadual e buscando outros jogadores de outras praças para que possam vim aqui e fazer uma grande competição. Queremos manter uma espinha dorsal desse time que jogou em 2020 e buscarmos peças para suprir aquelas que entendemos que ficaram abaixo do esperado para 2021. Então o planejamento vai ser mais minucioso, elaborado, mais conversado e mais pontuais, principalmente no termo contratação, para não cometermos os mesmos erros que tivemos em 2020. Eu até disse para algumas pessoas que não foram erros, foram aprendizados que tivemos. Uma competição diferente, uma novidade pra gente, e como imaginávamos, mas não sabíamos que seria tão difícil o certamente da primeira divisão.

Giro: O Baianão 2020 foi muito criticado pelo baixo nível técnico e, sobretudo, as péssimas atuações da arbitragem. O próprio Doce Mel foi veementemente prejudicado contra a Jacuipense. Como diretor, qual a sua visão do certame de nosso estado e o que a FBF pode fazer pra dar uma alavancada na competição?
– De fato o nível técnico do Baianão 2020 foi baixo. O Campeonato Baiano precisa de uma valorização ainda maior. O Baiano tem ficado pra trás em relação a outros estaduais, alguns até menores e sem tanta visibilidade que a Bahia, mas com um poder de investimento bem maior. Acredito que a partir de 2021, um novo contrato com qualquer que seja a emissora, ou plataforma digital, que é a sensação do momento para transmitir os jogos, espero que exista um investimento maior. Os clubes vêm fazendo a sua parte, e é necessário essa contrapartida da FBF e da CBF, já que as duas trabalham em conjunto. Com relação a arbitragem, é outro ponto que entendo que deve ter mais investimento da federação. Os clubes investem uma fortuna, é um gasto exorbitante que se investe no futebol da Bahia pra de repente você ser prejudicado por árbitros desqualificados e despreparados, como foi o caso do cidadão que apitou o jogo do Doce Mel contra a Jacuipense, em Riachão do Jacuípe. Ele já tinha feito coisas erradas na estreia do Doce Mel contra o Bahia de Feira, atuando como quarto árbitro. E quando teve a oportunidade de apitar, fez aquela lambança que todos viram. O Campeonato Baiano de Futebol da primeira divisão não é escola pra tá se colocando árbitro pra aprender, se existe um laboratório pra isso deve ser o Intermunicipal, que é uma competição amadora, porém muito disputada, a FBF precisa qualificar melhor os seus árbitros. Quando se coloca a possibilidade de árbitros de fora estarem apitando o Baiano, existem uma discussão muito grande, porque as pessoas dizem que não dão valorização aos daqui, mas desde quando os daqui, com exceções, claro, não aproveitam essas oportunidades que são dadas, deve-se buscar mão de obra fora. É como os clubes fazem, o clube quer contratar um jogador e aqui na Bahia não tem, então vai-se buscar fora, que seja assim com a arbitragem também, desde que traga profissionais de nível, qualificadas para estar apitando o Campeonato Baiano. O futebol é feito de três resultados: vitória, empate e derrota. Agora nunca pode ser feito um resultado em que tenha interferência da arbitragem.

Com a pandemia do Covid-19 e a suspensão de todas as competições, o Doce Mel suspendeu por tempo indeterminado todas as atividades das divisões de base, além de já ter dispensado todos os atletas que compuseram o time profissional que vinha disputando o Baianão 2020. (Giro/Romário Henderson)