Falecimento da professora Helena Lopes abre uma lacuna na educação de Ipiaú


Foto: Arquivo Familiar

Faleceu no inicio da madrugada desta segunda-feira, 20, na Clínica São Roque, onde se encontrava internada desde o mês de abril do ano passado, a professora Helena Lopes de Santana, uma das mais importantes referencias da educação de Ipiaú. Natural deste município, nascida na Fazenda Boa Sorte, região do Bom Sem Farinha, ela tinha 79 anos, e era a filha mais velha do casal Manoel Cipriano de Santana e Maria Lopes de Santana. O óbito decorreu do ataque de uma bactéria no pulmão da educadora, enquanto o sepultamento do seu corpo foi às 14 horas no Cemitério Jardim da Saudade, conhecido como Cemitério Velho, em Ipiaú.

O nome de helena Lopes fica na história de Ipiaú, merecendo homenagens póstumas pelos relevantes serviços prestados à comunidade local. No mínimo, a denominação de uma escola, rua ou outro logradouro público. Que os senhores vereadores não se esqueçam disto.

A menina Helena Lopes estava concluindo o curso primário em uma escola da zona rural quando o então prefeito Dr. Salvador da Matta lhe encontrou a caminho de casa e perguntou se tinha vontade de prosseguir os estudos. Ela disse que sim, mas não dispunha de recursos financeiros para custear uma estadia na cidade. Dr. Salvador foi até a casa de seu Manoel Cipriano e sugeriu que o pagamento poderia ser feito com gêneros alimentícios produzidos na própria fazenda. E assim foi feito.

Helena morou durante um bom tempo no pensionato de dona Emérita, sogra do advogado Euclides Neto, mãe de dona Angélia. Fez o exame de admissão e entrou no Ginásio de Rio Novo como bolsista. Na sequência ingressou na Escola Normal de Rio Novo, formando-se em magistério.

O estágio foi no Grupo Escolar Dr. Salvador da Matta , dirigido pela professora Emerita da Matta Castro, na Avenida São Salvador. Tão logo foi diplomada, Helena Lopes passou a lecionar na Escola Adélia Matta, localizada na Avenida Lauro de Freitas. Depois ingressou no corpo docente do Ginásio de Rio Novo. Também lecionou no Ginásio Estadual de Ipiaú( GEI). Foi vice-diretora e regente de classe na Escola Celestina Bittencourt. Além disso, dava aulas de reforço (banca) para alunos com deficiência de aprendizado.Sua jornada de trabalho estendia-se por três turnos. Como se não bastasse tudo isso, resolveu ingressar o ensino superior, fazendo parte da primeira turma da UESC, em Itabuna. Obteve graduação em Ciências.

Como primogênita da família ajudou os pais a criarem outros seis filhos. Assumiu o comando da prole e seus descendentes. Tinha muito amor por todos e estendia essa generosidade à outras pessoas. Aproveitava as férias escolares viajando pelo Brasil. Morreu solteira, guardando no coração um grande amor. Foi noiva do professor Roque Menezes que disputou o cargo de prefeito de Ipiaú com o advogado e escritor Euclides Neto.

A extenuante jornada de trabalho resultou em debilidades físicas. Helena Lopes sofreu AVCs (Acidente Vascular Cerebral) , contraiu diabetes e outras enfermidades. Há 22 anos lutava para se manter viva. Jamais perdeu a ternura, o amor ao próximo. Cumpriu a missão enquanto pôde. Deixou um bom exemplo de integridade e dedicação. (Giro/José Américo Castro).