Diagnosticado com Covid-19, morre Nicinho Araújo, aos 100 anos de idade


Nicinho estava internado e acabou contraindo a Covid-19.

Ipiaú – Morreu na noite dessa segunda-feira (12), aos 100 anos, Eunécio Marinho Araújo, mais conhecido como “Seu Nicinho”. Ele estava internado há 08 dias no Hospital Geral de Ipiaú, após alguns problemas de enfermidades se agravarem. No último domingo (10), foi realizado um novo teste de Covid-19, que detectou a presença do vírus no idoso. Segunda família, Nicinho apresentava bastante debilitada. O sepultamento ocorrerá na manhã dessa terça-feira (13), no distrito de Poço Central.

Casado com Antônia Santos Araújo, 92 anos, teve nove filhos que aumentaram a descendência em 30 netos, 32 bisnetos, e duas tataranetas. Além dos filhos biológicos: Maria Conceição, Maria Rita, Leôncio, Maria Rosa, Jaime, Maria Odália, José, Maria Ciléia e Júlio (Fiat), seu Nicinho e dona Antônia, criaram 32 crianças e apadrinharam centenas de outras. São quase mil afilhados. Nicinho deixa uma descendência entre filhos, netos, bisnetos, e tataranetos de 108 pessoas.

Nascido no inicio da madrugada do dia 4 de junho de 1920, na região da Canoa Virada, margem esquerda do Rio das Contas, Eunécio foi o primogênito dos cinco filhos do casal Eufrásio Peixoto Araujo e Maria Conceição Souza Araújo. As primeiras mãos que lhe tocaram foram as da parteira Emiliana. Na época do seu nascimento, o povoado de Rapatição que deu origem à cidade de Ipiaú, começava a ser formado.

Nicinho cresceu na labuta diária de uma fazenda que seu pai gerenciava. Auxiliava na lavoura, na pecuária, conduzia tropas, assistia trajetos de bandoleiros, presenciava fatos que se tornaram lendários. Morou no Curral Novo em Jequié, onde conheceu de perto o famoso Capitão Silvino. Aos 16 anos já estava tocando boiadas pelos sertões da Bahia e Minas Gerais, cavalgando, cercando boi em arribadas, descobrindo novas sensações. As viagens duravam meses e exigiam muitos sacrifícios. Em uma delas chegou a passar fome durante três dias seguidos. Enfrentou inúmeros perigos, sobreviveu.

Até os 30 anos esteve nessas aventuras. Ao atingir a maturidade resolveu acomodar-se como gerente de fazendas, permanecendo em tal profissão até os 65 anos. Trabalhou para seis fazendeiros, sendo um deles o senhor Deraldo Peixoto de Araujo, proprietário da Fazenda Palmeira, no município de Itapitanga, e pai do médico Deraldino Araújo, ex-prefeito de Ipiaú. Nicinho criou fama como amansador de burro brabo e bom vaqueiro. Com seu ferrão desafiou e derrotou muito marruá violento.

Depois de uma noite de tribulação, na madrugada do dia 2 de março de 1969 se converteu ao evangelho. Em seguida foi batizado pelo Pastor Valdomiro Oliveira, da igreja Batista de Itapitanga. Prosperou, comprou fazendas, criou gado, estabeleceu parcerias com outros pecuaristas. Ele fazia questão de citar o nome de José Nilton Montanha Castro, o popular “Zé Bufão”, como um dos seus melhores e mais honestos parceiros. Ainda compra, cria e vende gado.

Na fé cristã seu Nicinho encontrou muita felicidade. Quatro dos seus filhos, dentre os quais uma mulher, tornaram-se pastores, o mesmo ocorrendo com dois sobrinhos e uma nora. Outra filha é missionária. Acompanhado da esposa Antônia, frequenta com assiduidade os cultos da Assembléia de Deus, promove cultos domésticos, aconselha, prega, transmite a palavra do bem, evangeliza… Com frequência sentava na porta da sua casa, na Rua Rio Branco, e distribuia folhetos com mensagens cristãs, cumprindo assim a missão de um homem de paz e seguidor de Cristo. (GIRO/José Américo Castro).