Crônica: Ipiaú, Meu Bem Querer!


Por Vitor Hugo Martins.

Ipiaú completou 82 anos de emancipação nesta quarta-feira (02/12/15)
Há dois lustros vivo em Ipiaú, cidadezinha tranquila da Bahia. Casa / Oficina / Musa, como a poetizei, muito pobremente, é claro, pois aqui fala um poeta menor. 
Cheguei aqui no dia 02 de dezembro de 2004, exatamente no dia do seu aniversário. Ipiaú era então uma setentona, com tudo em cima. Walter, motorista da UNEB, que se tornou um grande amigo, foi me buscar na rodoviária. Ele deu uma volta comigo para mostrar-me a cidade. Eu lhe perguntei se a UNEB era distante do Centro e o primeiro ipiauense que conheci respondeu-me ironicamente: “Aqui tudo é Centro, professor.” 
Almoçamos juntos. Depois fui para a pousada que ficava junto ao único sinaleiro do município. À tardinha, fui à Praça Ruy Barbosa, seduzido pelos assovios dos miquinhos. É, naqueles tempos havia miquinhos… Cadê os miquinhos, Excelentíssimo Alcaide, digníssimos edis? Já sei, foram tombados não pelo Patrimônio Histórico, mas pela indiferença “urbana”… Aliás, cadê a Praça Ruy Barbosa, gente? De bom nela, só restou o Apertadinho do Carlinhos e sua cerveja deliciosamente gelada. 
Ipiaú me recebeu muito bem, coisa que os baianos sabem fazer como poucos brasileiros. Deu-me até o título de cidadão honorário. Pode? Pôde. O que muito me orgulha. O diploma está aqui junto aos quadros de Jurnier Costa, na sala do Mocó, 266, da Rua do Cacau.
Ipiaú – quem sabe, anagrama de Piauí? – me apresentou um cidadão com todos os efes e erres, Adilson Duarte, cuja morte precoce não nos impediu de amá-lo para sempre. Ipiaú também me fez conhecer Euclides Neto, não o prefeito, infelizmente, mas sua ficção telúrica e solidária à gente do campo. Grato por isso, Ipiaú!
Os amigos ipiauenses, João Mesquita, Ximba, Carlinhos, Kamafeu, Geraldo, Samio, Villazito, Wilson, Zé-Américo, Zé Máximo, Zé Oreia, Joelson, Joilton, Jiló, Aryana, meu Deus, são tantos!… Não tenho espaço para enumerá-los.
Ipiaú, hoje, no dia dos seus 82 anos, aceite esta prosa pouca como presente de aniversário. É o que tenho para lhe dar, mais nada. Hoje, principalmente, vivo Ipiaú. Que Mapin (Manoel Pinto) me perdoe, mas o bem querer agora é meu também! De cor. VH.  
*Vitor Hugo Martins é professor do curso de Letras, 
da Universidade do Estado da Bahia, 
Campus XXI, Ipiaú. Poeta, 
cronista e contista. 
Autor de CRONICÁLIA (Ibicaraí: Via Litterarum, 2015).