Beber quatro cafés por dia está longe de fazer mal à saúde


A Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) recomendou oficialmente que o consumo diário de cafeína não ultrapasse 400 miligramas para um adulto, ou seja, o equivalente a pouco mais de quatro expressos. Para as gestantes, essa recomendação cai para 200 miligramas por dia, e para crianças e adolescentes, o cálculo é de 3 miligramas por quilo. Segundo a EFSA, para além desse limite há riscos à saúde, sobretudo problemas cardiovasculares. A EFSA explica que: “O risco para a saúde não é enorme, mas ele existe. A principal mensagem é que os consumidores devem levar em consideração as diferentes fontes de cafeína, além do café.” De fato, o órgão europeu se debruçou sobre os riscos causados pela cafeína “proveniente de todas as fontes alimentares” e sobretudo dos energéticos. As conclusões foram obtidas após a análise de 39 pesquisas realizadas em 22 países europeus, que no final envolveram mais de 66.500 pessoas. A frase que ficará dessa meta-análise (feita sobre a base de dados obtidas de outros estudos) poderá ser: “Não se deve beber mais de quatro cafés por dia”. Do outro lado do Atlântico, as pessoas preferem ver o copo (de café) meio cheio. O Comitê Consultivo para as Recomendações Alimentares dos Estados Unidos (Dietary Guidelines Advisory Committee) também acaba de publicar um documento que menciona, pela primeira vez, o café. Ele chegou mais ou menos às mesmas conclusões que os europeus, mas as formulou de forma diferente. Na verdade, observou que existe uma série de indícios bem fortes para dizer que o consumo de 400 miligramas de cafeína por dia não é nocivo para a saúde, e tem até efeitos positivos. 
“O café é uma mistura complexa de produtos químicos, e seus benefícios para a saúde ainda não estão claros”, relata o jornal britânico “The Guardian”. Mas, pela primeira vez, essa agência de regulação norte-americana diz oficialmente que o café não é fundamentalmente ruim para você, apesar de sua reputação. *Informações do Uol Saúde.

Número de fumantes no país cai 30,7% em nove anos


Dados da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) 2014 indicam que 10,8% dos brasileiros mantêm o hábito de fumar. O índice é maior entre os homens – 12,8% contra 9% entre as mulheres. Os números, divulgados hoje (28) pelo Ministério da Saúde, representam uma queda de 30,7% no total de fumantes no país nos últimos nove anos. Ainda de acordo com o estudo, o consumo de cigarros no Brasil é maior na faixa entre 45 anos e 54 anos de idade (13,2%) e menor entre jovens com idade entre 18 anos e 24 anos (7,8%). Os homens fumam mais nas cidades de Porto Alegre (17,9%), Belo Horizonte (16,2%) e Cuiabá (15,6%) e as mulheres, em Porto Alegre (15,1%), São Paulo (13%) e Curitiba (15,6%). O tabagismo é menos frequente em Fortaleza (8,6%), Salvador (9%) e São Luís (9,3%) entre os homens e em São Luís (2,5%), Palmas (3%) e Teresina (3,1%) entre as mulheres. A pesquisa mostra também que 21,2% dos brasileiros se declaram ex-fumantes, sendo 25,6% dos homens e 17,5% das mulheres. Dados inéditos do Instituto Nacional do Câncer (Inca) mostram que o consumo de cigarro ilegal cresceu de 2,4% em 2008 para 3,7% em 2013. A pasta alerta que o tabagismo é responsável por 200 mil mortes todos os anos no Brasil – 25% delas por angina e infarto do miocárdio, 45% por infarto agudo do miocárdio (abaixo de 65 anos) e 85% das mortes por bronquite e enfisema pulmonar. O hábito também responde por 90% dos casos de câncer de pulmão no país, sendo que, entre o restante, um terço é fumante passivo. Esse tipo de tumor é considerado o mais letal e umas das principais causas de morte no Brasil. A estimativa do governo é que 27.330 novos casos de câncer de pulmão sejam registrados no país este ano.

Biscoito recheado vicia tanto quanto cocaína


Um novo estudo americano mostrou que o biscoito da marca Oreo, considerado o favorito dos Estados Unidos, estimula o cérebro assim como os entorpecentes e ativa mais neurônios “centro de prazer” do órgão do que as substâncias alucinógenas. A marca do biscoito foi escolhida por ser o preferido no Estados Unidos, além de ser bastante palatável para as cobaias, ter altos níveis de açúcar e gordura e barato. Com a ajuda de ratos de laboratório, eles descobriram outro fato curioso: assim como a maioria das pessoas, os roedores preferem comer primeiro o recheio da guloseima, para depois comer o biscoito propriamente dito. Para descobrir isso, os pesquisadores colocaram os ratos famintos em um labirinto em que, de um lado, eram recompensados com Oreo e, de outro, recebiam um bolinho de arroz. Depois, os animais poderiam escolher em qual área de recompensa queriam ficar e o tempo em que ficavam por lá foi medido. Com as informações em mãos, eles compararam os resultados com outro experimento semelhante, porém com diferentes substâncias como prêmio: de um lado, uma injeção de cocaína ou morfina e, de outro, um gole de soro fisiológico. Ao cruzar os resultados, os cientistas perceberam que os ratos condicionados com o biscoito ficaram tanto tempo no lado de recompensa quanto os ratos condicionados com as drogas. Além disso, ao analisar a ativação neuronal no centro de prazer do cérebro, foi possível ver que Oreos provocaram mais estímulos do que as substâncias alucinógenas. Para os pesquisadores, isso leva a crer que comidas gordurosas e doces demais podem ser consideradas como “viciantes” e tão prejudiciais à saúde quanto às drogas, com o fator agravante de que estão facilmente acessíveis no mercado. A pesquisa foi realizada por alunos e um professor de psicologia da Connecticut College. (iBahia)

Pessoas ficam mais inteligentes com a idade, mostra estudo


Por trás de todos os elogios forçados dirigidos aos mais velhos – esperto, astuto, sábio – está um reconhecimento de um fato que os cientistas não conseguem qualificar com facilidade: as faculdades mentais que melhoram com a idade. O conhecimento é muito importante, claro. As pessoas que estão além da meia-idade tendem a saber mais do que os jovens, só pelo fato de terem vivido mais tempo, e se saem melhor em testes de vocabulário, palavras cruzadas e outras aferições de inteligência permanente. Ainda assim, os jovens que pedem conselhos aos mais velhos (a maioria desesperados) não o fazem apenas para conseguir informações, terminar as palavras cruzadas ou usar o cartão de crédito deles. Nem, normalmente, estão procurando ajuda para resolver um problema que envolva memória de curto prazo ou para completar um quebra-cabeça. Esse tipo de habilidade, chamada inteligência fluida, tem seu pico na faixa dos 20 anos.
Não, os cérebros mais velhos oferecem algo a mais, de acordo com um novo artigo do periódico Psychology Science. Elementos de julgamento social e memória de curto prazo, partes importantes do complexo cognitivo, podem ter seu auge mais tarde do que foi pensado anteriormente. Os pós-doutorandos Joshua Hartshorne, do MIT, e Laura Germine, de Harvard e do Hospital Geral de Massachusetts, analisaram uma imensa coleção de resultados de testes cognitivos feitos por pessoas de todas as idades. Os pesquisadores descobriram que uma divisão do tipo de cognição em relação à idade – fluida nos mais jovens e cristalizada nos mais velhos – escondia nuances importantes.
“Essa dicotomia em relação aos picos dos mais jovens e dos mais velhos é muito rasteira. Há muitos outros padrões acontecendo e precisamos levá-los em conta para entender de verdade os efeitos da idade na cognição”, avisa Hartshorne. O novo artigo não é o primeiro desafio para a literatura científica sobre o declínio relacionado à idade e não será o último. Um ano atrás, pesquisadores alemães afirmaram que os “déficits” cognitivos da idade eram causados principalmente devido ao acúmulo de conhecimento – ou seja, o cérebro fica mais lento porque precisa fazer a busca em uma maior biblioteca mental de fatos. Essa ideia causou debate entre os cientistas.
Os especialistas afirmaram que a nova análise levanta outra questão: existem elementos diferentes e independentes da memória e da cognição que têm seu auge em períodos distintos da vida? “Acho que eles têm que trabalhar mais para demonstrar que esse é o caso, mas esse é um artigo provocativo e vai causar impacto nesse campo”, avisa Denise Park, professora de Comportamento e Ciências do Cérebro da Universidade do Texas, em Dallas.
A força da nova pesquisa está parcialmente em seus números. O estudo avaliou resultados históricos do popular teste de inteligência Wechsler e os comparou com resultados recentes de testes cognitivos curtos feitos por dezenas de milhares de pessoas nos sites dos autores, testmybrain.org e gamewithwords.org. O único problema desse tipo de abordagem é que, como eles não seguiram as mesmas pessoas durante um longo tempo, a pesquisa pode ter deixado de lado o efeito de experiências culturais diferentes, afirma K. Warner Shaie, pesquisador da Universidade Estadual da Pensilvânia.
Porém, a maioria dos estudos anteriores não foram tão grandes nem tiveram a mesma abrangência de idades. Os participantes dos sites estavam entre 10 e 89 anos e fizeram uma grande bateria de testes que mediam habilidades como memória para símbolos abstratos e sequências de dígitos, solução de problemas e facilidade para ler emoções nos olhos de pessoas desconhecidas.
Tão importante quanto a abrangência foi o fato de os cientistas procurarem o efeito da idade em cada tipo de teste. Pesquisas anteriores normalmente agrupavam testes similares, assumindo que eles capturavam um atributo básico comum, da mesma maneira que um treinador dá nota para a capacidade atlética de alguém baseado na velocidade, força e habilidade de saltar.
Qual foi o resultado da nova abordagem? “Encontramos habilidade diferentes amadurecendo em idades diversas. É uma imagem muito mais rica do tempo de vida do que apenas chamar de envelhecimento”, diz Laura.
A velocidade de processamento de informações – a rapidez com que cada pessoa manipula números, palavras ou imagens, como se usasse um bloco de rascunhos mental – geralmente chega ao auge no final da adolescência, confirmaram Laura e Hartshorne, e a memória para algumas coisas, como nomes, chega ao pico aos 20 e poucos anos. Mas a capacidade daquele bloco de rascunho mental, chamado memória de trabalho, atinge seu melhor momento pelo menos uma década depois e demora para entrar em declínio. As habilidades para lembrar de rostos e fazer contas de cabeça, principalmente, chegaram ao auge aos 30 anos, segundo o estudo, “algo difícil de assimilar usando a dicotomia entre inteligências fluida e cristalizada”.
Os pesquisadores também analisaram os resultados do teste Lendo a Mente nos Olhos. No exame, as pessoas precisavam olhar para fotos de olhos de desconhecidos em um computador e determinar seu estado de espírito de acordo com um menu com opções como “cauteloso”, “inseguro” e “cético”.
“Não é um teste fácil, e a pessoa não sabe depois se foi bem ou não. Achei que tinha falhado, mas na verdade fui bem”, avisa Laura. Ainda assim as pessoas em seus 40 ou 50 anos consistentemente se saíram melhor, segundo o estudo, e a habilidade decaiu muito devagar em idades mais avançadas.
A imagem que emerge dessas descobertas é a de um cérebro mais velho que se move mais devagar do que quando era jovem, mas que se tornou mais preciso em muitas áreas e mais experiente em ler o humor das outras pessoas – além de ter mais informações. Essa é uma combinação muito prática, já que várias decisões importantes que a pessoa toma afetam intimamente os outros.
Ninguém precisa de um cientista cognitivo para lhe explicar que é melhor pedir um aumento ao chefe quando ele ou ela estão de bom humor. Mas a mente mais velha pode estar mais apta a deixar de lado julgamentos interpessoais errados e se sair bem em situações complicadas.
“Como em ‘Essa pessoa não está feliz com seu pensamento rápido e velocidade de processamento – ele está quase batendo em você”, diz Zach Hambrick, professor de Psicologia da Universidade Estadual do Michigan.
Os detalhes para essa imagem mais complexa do envelhecimento cerebral não são muito claros, e exames sociais como o teste Lendo a Mente nos Olhos ainda não foram extensivamente usados nesse tipo de pesquisa, afirmam Hambrick e outros especialistas. Além disso, não se chegou a qualquer conclusão na nova pesquisa se as mudanças que acontecem na cognição por causa da idade são resultado de uma causa só – como o declínio da velocidade das transmissões neurais – ou de várias.
Mas, por enquanto, a nova pesquisa pelo menos dá algum significado ao adjetivo vazio “esperto”. *Conteúdo Uol Saúde.

Estresse e depressão podem afetar a memória


O estresse, a ansiedade e a depressão estão na lista dos principais inimigos da memória. Segundo estudos científicos recentes, a liberação do cortisol, conhecido como hormônio do estresse, quando em excesso, pode causar a diminuição do hipocampo, a região do cérebro onde guardamos nossas lembranças e gravamos nossos conhecimentos. Se não tratadas, essas doenças ligadas ao estilo de vida contemporâneo podem causar danos cerebrais semelhantes ao Alzheimer ou mesmo acelerar a chegada da doença degenerativa
“Tanto a depressão quanto a ansiedade e o estresse crônico levam a atrofia de uma parte do cérebro chamado hipocampo, que é o nosso ‘hard drive’. Na doença de Alzheimer, o hipocampo também começa a diminuir, por isso, existe um link entre a depressão, o estresse e o Alzheimer que vem sendo estudado”, diz o geriatra João Senger, vice-presidente da Sociedade de Geriatria do Rio Grande do Sul, que analisa os estudos que abordam os efeitos das doenças mentais e físicas na memória, especialmente em idosos. Estudos recentes também concluíram que as alterações circulatórias causadas pelo tabagismo, hipertensão e diabetes também causam estragos no cérebro, porque afetam a circulação do sangue. “A hipertensão, o diabetes e o tabagismo influenciam na parte circulatória do corpo e, por consequência do cérebro, já que os neurônios são células que precisam de muita energia para funcionar. E quem leva essa energia? O sistema circulatório. O nosso cérebro pesa mais ou menos um quilo e meio e consome 20% do nosso sangue. Se você não tiver o motor bem alimentado, ele não funciona bem”, explica.
Receita da boa memória
Cientistas que estudam os efeitos da atividade física na memória descobriram que, além de combater a hipertensão e o diabetes, manter o corpo em movimento ajuda na liberação de substâncias químicas que protegem os neurônios. “A atividade física libera um fator de proteção aos neurônios que fazem com que eles durem mais. A perda de neurônios ou de sua funcionalidade também afeta a memória”, diz Senger. 
Outro aliado da memória é o pensamento ativo, explica a psicóloga Mônica Yassuda, professora de neurogerontologia da Faculdade Aberta a Terceira Idade da USP-Leste. “As pesquisas mostram de forma contundente que temos ganhos cognitivos ao aprendermos coisas novas, seja uma oficina de bordado, de fotografia. Exames de neuroimagem mostram alterações no volume do hipocampo nestas situações, que trazem ganhos para a memória. E entre os que aprendem uma habilidade nova, os testes de memória apresentam melhoras”, afirma Yassuda.
Pessoas que fazem atividades intelectuais tendem a ter uma reserva cognitiva mais complexa que reforça a estrutura do hipocampo. “Precisamos ter problemas, pensar, caso contrário o hipocampo atrofia e o cérebro envelhece. Para garantir uma boa reserva cognitiva, o ideal é enquanto for jovem, investir na escolaridade; na fase adulta manter um trabalho que te faça pensar. Já na velhice, o melhor é arrumar coisas para fazer, ir plantar, criar bicho, se incomodar com o vizinho. Quem se aposenta e resolve ter férias eternas, em dois anos começa a afundar a memória porque parou de exercitar o cérebro”, reforça Senger.
Problema ou mero esquecimento?
Antes mesmo de começar a rotina de exercícios e de estudos, vale primeiro notar se há de fato um problema na memória. Esquecimentos são comuns e diferem de problemas de memória pela frequência e pela forma como afeta a rotina. “Quando uma pessoa tem dificuldade de aprender coisas novas e quando esse esquecimento se torna contínuo é algo que podemos nos preocupar. Um exemplo é quando a pessoa começa a repetir perguntas e não se lembrar disso. Mas quando ela tem lapsos de memória e sabe que se esqueceu, não é necessariamente algo preocupante”, diz Senger. 
Para quem se queixa de esquecimentos frequentes, há uma série de técnicas de memorização que ajudam a melhorar a qualidade de vida. Yassuda ensina essas técnicas a grupos de idosos na USP-Leste todo o semestre, mas afirma que as técnicas podem trazer benefícios para pessoas de todas as idades. 
“É importante o adulto a ser mais estratégico no momento da memorização. Ensinamos primeiramente a prestar atenção, evitar distrações, focar melhor a sua atenção para fazer uma memorização mais profunda”, diz Yassuda. *Conteúdo Uol Saúde.

Dormir muito não significa ser saudavel


Os pesquisadores estudaram 9.692 pessoas entre 42 e 81 anos.
Novas pesquisas têm mostrado que dormir muito –mais que nove horas– pode ser tão ou até mais prejudicial do que dormir pouco –menos que seis horas. Um estudo publicado no periódico “Neurology” apontou que pessoas que relataram dormir mais do que oito horas tiveram aumento de 46% no risco de sofrer AVC, quando comparadas àquelas que relataram dormir de seis a oito horas. 
Entre aquelas que relataram dormir menos do que seis horas, o aumento foi de 18% (estatisticamente não significativo, segundo os autores). Os pesquisadores estudaram 9.692 pessoas entre 42 e 81 anos que não tinham sofrido AVC antes de seu relato. Os mecanismos da associação entre dormir muito e os riscos à saúde ainda não são totalmente conhecidos, mas os pesquisadores acreditam que a necessidade de um longo período de sono pode ser um sinal precoce de desregulação no cérebro e risco de sofrer AVC no futuro. Para Yue Leng, uma das autoras do trabalho, uma possibilidade é que essa desregulação esteja ligada a problemas no fluxo sanguíneo. 
Estudos experimentais poderão explicar melhor essa relação, ainda desconhecida. Em um comentário sobre o artigo, também na “Neurology”, Camila Hirotsu, pesquisadora do Departamento de Psicobiologia da Unifesp, faz a ressalva de que muitas pessoas tendem a superestimar seu período de sono –elas não dormem tanto assim. Elas podem estar levando em conta, por exemplo, o horário em que vão para a cama, em vez do horário em que efetivamente pegam no sono. Como a pesquisa americana se baseia em relatos, isso seria um ponto fraco dos dados. Além disso, parte dos dorminhocos pode ter apneia obstrutiva do sono, que é um fator de risco para doenças cardiovasculares. 
A apneia é caracterizada por pausas respiratórias durante o sono que provocam pequenos despertares, não percebidos pelo paciente. “A pessoa acorda irritada e sente sonolência durante o dia inteiro”, diz Mônica Andersen, professora da Unifesp. “O sono é interrompido, e, como a pessoa fica com sonolência muito grande, dorme em qualquer lugar que encosta. O tempo total de sono é até aumentado”, diz Camila. Um estudo epidemiológico realizado em 2007 na cidade de São Paulo, com 1.042 pessoas que foram avaliadas por questionários e polissonografias, apontou que 33% dessa população tinha apneia obstrutiva do sono. A apneia é, segundo Geraldo Lorenzi Filho, presidente da Associação Brasileira do Sono, o distúrbio do sono que mais acomete o sistema cardiovascular. Podem acontecer mais de 30 pausas por hora. Essa situação é perigosa porque obriga o coração a fazer mais esforço, e o estado de falta de oxigênio é muito deletério para o cérebro. Outros estudos associam longos ou curtos períodos de sono com outras doenças, como diabetes e obesidade. Alterações no sono são prejudiciais porque o sono é fundamental para o organismo. “É um momento de descanso, importante para a reorganização do cérebro”, diz Lorenzi. *Informações da Folha.

Mau hálito pode indicar doenças bem graves


Apesar de 95% dos casos de halitose ter sua origem na boca, é possível que o mau hálito esteja associado a doenças mais graves relacionadas a outros órgãos, como cirrose, diabetes, mononucleose e leucemia. Por meio do cheiro e de alguns outros sintomas bucais,“No caso da leucemia dá para desconfiar do sangramento gengival espontâneo, sem placa bacteriana”, diz Olinda Tarzia, diretora científica do CETH (Centro de Excelência no Tratamento da Halitose) e presidente da SOBREHALI (Sociedade Brasileira de Estudos da Halitose). “O cheiro do sangue excessivo que sai das gengivas também é um forte indicativo da doença”, afirma. 
Pessoas com diarréia ou gastroenterites também podem ter mau hálito, que se apresenta de modo diferente. “Por causa da diarréia, a boca perde muita água facilitando a formação da saburra lingual, causando também um cheiro de esgoto na boca”, diz Ana Cristina Zanchet Gomes, periodontista e especialista no diagnóstico e tratamento da halitose, da clínica Hálito Curitiba.
Já quem tem halitose por causa da diabetes costuma apresentar um cheiro bucal mais ácido, semelhante ao cheiro de maçã velha, de acordo com a especialista. Enquanto os pacientes com doença renal crônica, em hemodiálise e transplantados, apresentam um hálito com odor de urina. 
Outras doenças como intolerância a lactose, cirrose, febre reumática, mononucleose e sífilis também podem alterar o hálito e ser percebidas por um profissional. “Em geral o que acontece é o dentista identificar ou suspeitar do problema e recomendar o médico da especialidade correspondente”, diz Olinda.
A culpa não é só das doenças 
O consumo excessivo de alguns medicamentos também pode causar um odor diferenciado na boca. Nesse caso, de enxofre, que está na composição de boa parte dos remédios  e pode se misturar com o odor causado pela doença a ser combatida. “A halitose é manifestada pela somatória dos fatores causadores do mau hálito. Quanto mais desses fatores o portador tiver, pior fica o hálito”, diz Ana Cristina.
Tem tratamento 
Na maioria dos casos, assim que a doença é diagnosticada e tratada, o mau hálito some junto com ela. “No caso da diabetes, a gente só tem o controle da doença. Mas mesmo controlada, o mau hálito também desaparece. É possível também eliminar 90% desses odores com enxaguantes à base de dióxido de cloro, que reage com os gases e os transforma em sais. Como os sais não são voláteis, o mau hálito desaparece”, diz Olinda.  *Conteúdo do Terra.